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domingo, 28 de julho de 2013

A LUZ DO SORRISO DE ALICE...


A luz do sorriso de Alice

CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@hotmail.com
De Londrina-PR


A carinha feliz transmitia força para quem a olhasse. Deveras, o otimismo é um dos antídotos para todas as nuances do pessimismo e para a falta de fé.
Completaria oito anos na próxima semana, e já fazia três meses que estava em mais uma internação. Alice era uma garotinha bem bacana, dona de uns olhinhos brilhosos cheios de expectativas para um futuro harmonioso e com toda vida e alegria referentes à sua idade física e espiritual.
Escrevia num caderno rosa e de capa dura todos os seus desejos, mas não apenas os que gostaria de cumprir quando estivesse curada, como a maioria das pessoas; os seus desejos escritos, já os colocava em prática a cada amanhecer, quer estivesse em casa, na escola ou no hospital.
Ela os seguia à risca. Começava o dia com o mais lindo sorriso; agradecia ao Pai a oportunidade de poder estar aqui, de viver; era presença garantida para levar uma saudação às crianças mais frágeis na ala infantil; apreciava sempre o lado mais benéfico da situação; na verdade, era um anjo num corpinho de menina.
Os profissionais e até mesmo muitos pacientes que a conheciam diziam que ela era a “Alice no país da alegria” e, assim, com mais um sorriso, a garotinha os presenteava.
E os dias passavam; a sua luz mais intensa ficava. É como se fosse uma lógica matemática: se beneficia alguém, de algum modo será beneficiado. Quando se age com maior desprendimento, maior o retorno natural de tudo o que é criado. Por isso, é necessária a avaliação cotidiana do que se produz para o universo, pois, certamente, ele nos devolverá.
Mas Alice era anjo, o que mais transbordava em seu ser era a bondade, a leveza, o amor.
– Parabéns, Alice! – todos a cumprimentavam.
Imensa felicidade invadiu aquele ambiente. Chegara o seu aniversário. Com exatidão, nesse dia tão aguardado, veio o presente, enlaçado, com uma fita verde: a alta, por enquanto, para o seu tratamento, ou seja, Alice podia ir para casa.
Seu sorriso era permanente. Já com as malinhas prontas e mostrando a carequinha, a menina concluía mais uma etapa; não sabia se estava curada ou precisaria de mais cuidados, o que importava era valorizar cada dia vivido e quando se cria essa percepção, o hoje se transforma no mais belo presente de todos.
Até no mais amplo lugar escuro, a luz de uma fresta pequenina invade e se mantém viva. E Alice, no seu mundo, era luz para o despertar de muitos que, com ela, caminhavam.


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