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sábado, 8 de julho de 2017

CONHEÇA 20 COLÔNIAS ESPIRITUAIS QUE ESTÃO SOBRE O BRASIL








As Colônias Espirituais são de diversos tipos. Por exemplo: socorristas, correcionais, estudo e de desenvolvimento das artes, pesquisas no conhecimento científico e muitas outras.

O que rege a formação das Colônias Espirituais é a Lei de Afinidade.

1. COLÔNIA DAS ÁGUAS





Próxima à entrada do rio Amazonas, em terras do Brasil, ainda com o nome de Solimões, estendendo-se no sentido em que correm as águas do grande rio, no seu encontro com o mar.

Sua especialidade: receber os desencarnados por problemas circulatórios e que são afetados no perispírito, pela impressão da doença.

2. COLÔNIA AMIGOS DA DOR





Fica ao norte de MG, passando pelo Extremo Sul da Bahia, passando por Porto Seguro e avançando pelo Oceano Atlântico.

Realiza grande socorro a recém-desencarnados através de missas, visto que os tarefeiros desta Colônia prestam atendimento nas igrejas, nas santas casas de misericórdia e em funções de ritual católico. É uma das mais antigas colônias em terras brasileiras.

3. COLÔNIA DA PRAIA





Fica no sudeste do Espírito Santo, próximo a Marataízes, estendendo-se além da Ilha dos Franceses.

É voltada para atividades espirituais que atuam na ecologia terrena, desenvolvendo estudos e mantendo observação atuante no equilíbrio exercido pelo oceano, na estrutura do planeta. Funciona como um dos pontos de vigilância na harmonia planetária.

4. COLÔNIA DAS FLORES





É uma das maiores colônias espirituais. Inicia-se na parte central de Santa Catarina, nas proximidades de Tangará, seguindo sem interrupção até o norte de Goiás, na cidade de Alto Paraíso de Goiás.

Como pontos de referência, no Paraná, está próxima a União da Vitória, a Londrina. Adentrando São Paulo, às cidades de Presidente Prudente, Pereira Barreto e Santa Fé do Sul. Segue em direção do sudoeste de Minas Gerais, adentra Goiás, por São Simão, Paraúna até Alto Paraíso.

“Paraíso das Flores”.
Especializou-se no socorro aos que desencarnam vítimas de câncer e que quase sempre conservam a impressão da doença no perispírito

5. COLÔNIA NOVA ESPERANÇA



Poderia ser chamada de “Colônia da Estatística Planetária”, devido à sua importantíssima função, na catalogação de todos os espíritos que entram, saem e que permanecem no Orbe planetário, o que, hoje, equivale a aproximadamente 30 bilhões de espíritos. Ela se localiza bem próximo à cidade de Palmelo/GO (na direção de leste a norte), estendendo-se nas direções das localidades de Pires do Rio, Ipameri e Caldas Novas, respectivamente.

É grande a quantidade de espíritos que chegam para os primeiros socorros, devido à sua potente irradiação planetária. Após o tratamento inicial, vários espíritos são encaminhados a outras colônias, para o prosseguimento de tratamentos específicos ou por afinidade e vontade, ou, ainda, por solicitação de espíritos familiares, com méritos para isso.

Possui vários postos de socorro e atendimento espalhados por vários lugares da Crosta Terrena, e estes postos recebem todos o nome de “Boa Esperança”.

As atividades espirituais são intensas e possui muitos emissários de luz. Todo trabalho de serviço prestado na Colônia recebe-se “bônus-hora”.

6. COLÔNIA MORADA DO SOL





Localiza-se na parte leste do Brasil, estendendo-se do norte da Bahia, próximo a Altamira, atravessa Sergipe, passando por Aracaju, segue por Alagoas, por via de Maceió, indo até o norte de Pernambuco, na Ilha de Itamaracá.

Esta Colônia também coordena um trabalho de equipes espalhadas pelo planeta, levando socorro, assistência e amparo a todos os portadores de “doenças tropicais”, os quais se encontram encarnados.

7. COLÔNIA RAIOS DO AMANHECER





Localiza-se na parte central do planeta, acompanhando a imaginária linha do equador.

Forma uma quase “ciranda” em torno da Terra, embora apresente núcleos de espaço em espaço. Os maiores núcleos estão no Brasil, norte do Amapá, passando pelas Guianas em direção ao Atlântico; na África, abrange os dois Congos e o Quênia; e o outro grande núcleo se encontra nas Ilhas da Indonésia, entre os oceanos Índico e Pacífico. Além desses existem outros núcleos menores e o conjunto deles é que constitui a Colônia Raios do Amanhecer.

Cada núcleo apresenta características filosóficas próprias, embora seja a do Cristo a filosofia de atendimento em todos eles.

No Brasil, a colônia tem o aspecto de uma grande “parque infantil”, pois é o mundo espiritual das crianças. Os grandes centros de lazer infantil na Terra foram inspirados nessa Colônia.

8. COLÔNIA REGENERAÇÃO





Localiza-se nas proximidades de Goiânia, seguindo em direção a Brasília, envolvendo Anápolis, Pirenópolis, Luziânia até Formosa. Trabalha também na recuperação dos espíritos mutilados no perispírito, área que envolve muitos setores de atendimento: fluídico concentrado, terapias, academias, esportes, tudo isso com uma contínua conscientização de renovação interior.

9. COLÔNIA DO SOL NASCENTE





Fica no sudoeste do Estado de SP, envolvendo as áreas de S. José dos Campos, Campos do Jordão, Itajubá (MG), Pouso Alegre (MG), Águas de Lindóia e Bragança Paulista, em SP.

A Colônia apresenta também um setor de preparação do espírito para o reencarne aguardando o momento determinado por Deus; geralmente ficam felizes com a nova oportunidade e aguardam esperançosos; e há os que são encaminhados para lá para receberem essa preparação para voltarem à vida física.

10. COLÔNIA REDENÇÃO





Fica no leste da Bahia, com uma forma mais ou menos triangular, numa área de envolve Salvador, Alagoinhas e Feira de Santana e é de grande referência no plano espiritual.

É um grande laboratório fluídico, do qual toda a colônia se beneficia e distribui seus fluidos através de suas equipes socorristas na Terra.

Nesta colônia encontra-se um arquivo com as mais lindas histórias e exemplos de amor que o Planeta conheceu, começando pela história de Jesus, com cenas vivas.

11. COLÔNIA DAS MONTANHAS





Localiza-se a noroeste de MG, próxima à divisa com Goiás, adentrando o sudoeste entre a Serra Bonita (MG) e a Serra da Capivara (BA) e a Serra dos Gaúchos (MG), envolvendo toda a área do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, onde envolve as águas dos rios Urucaia e Pardo com seus afluentes.

12. COLÔNIA BOM RETIRO





Localiza-se no Paraná entre Curitiba e Ponta Grossa, estendendo-se ao norte até Cerro Azul e, ao sul, até Água Azul. Tem o formato de um losango.

Além do socorro espiritual a desencarnados, sua função principal é voltada ao reequilíbrio do espírito

13. COLÔNIA PADRE CHICO





Fica no Triângulo Mineiro, na região que envolve Uberlândia, Tupaciguara, Monte Alegre de Minas, Prata e Miraporanga, como pontos de referência material.

É também conhecida no Plano Espiritual como a Colônia das Margaridas, pela grande quantidade dessa flor espalhada por toda a Colônia, na cor branca e na amarela.

Colônia de porte médio, tem vida intensa e movimentada devido ao grande número de espíritos nela abrigados tanto para socorro quanto para trabalharem e servirem em nome do Cristo.

– Ala dos Hospitais
– Ala dos Albergues
– Ala das Escolas
– Ala de informações
– Áreas residenciais
– Parte central da Colônia

14. COLÔNIA DO MOSCOSO





Situada na parte centro-leste do Espírito Santo. Envolve a área que abrange Vitória, Vila Velha, Domingos Martins, Cariacica, Serra, Jacaraípe e Oceano Atlântico.

Tem o formato de um retângulo – características orientais, por ter sido fundada pelos “Moscos”, povos que habitavam entre o Mar Negro e o Mar Cáspio, havia milhares de anos e que vieram em migração espiritual para o psiquismo do Brasil.

Tem como característica o desenvolvimento de técnicas especiais, que auxiliam o espírito à autodescoberta, como essência divina. Distribui equipes de tarefeiros, por toda a parte, estimulando e concedendo apoio atoda tarefa que visa à educação da alma, no domínio de si mesma, ampliando os setores de autoconhecimento.

Inspiram encarnados nos livros de autoajuda oferecendo o resultado de suas pesquisas e esforços visando ao autoconhecimento.

15. COLÔNIA DO ROUXINOL





Fica ao norte do Brasil, no Maranhão, na região que envolve a Serra das Alpercatas. Suas extremidades aproximam-se ao norte da cidade de Presidente Dutra; ao sul, de Raimundo das Mangabeiras; a leste, da Represa da Boa Esperança (divisa com Piauí) e, a oeste, de Naru.

Há uma profunda sensação de paz e ali ficam os espíritos que desencarnaram após longos períodos de enfermidade ou que tiveram morte súbita, com perda de sangue (o plasma da vida).

16. COLÔNIA DAS VIOLETAS





É uma colônia do Brasil central. Se estende do rio Sucunduri (AM) ao Parque Nacional do Araguaia (TO), passando pela Serra do Cachimbo, por Santa Maria das Bandeiras (PA) e pela Serra dos Apiacás e Alta Floresta (MT).

A Colônia desenvolve técnicas voltadas para a cura de enfermidades cardíacas. Nos seus educandários e laboratórios, espíritos estudiosos oferecem não só no plano espiritual mas também aos estudiosos encarnados, o resultado de suas pesquisas. O avanço médico, no setor cardíaco, recebe direta ou indiretamente a influência positiva dessa Colônia inspirando os transplantes do coração, pequenas, média e grandes cirurgias cardíacas e todo avanço desenvolvida nessa área vem desta Colônia.

17. COLÔNIA GRAMADO





A Colônia desenvolve também um trabalho específico – técnicas de estudo relacionadas com a “coluna vertebral”, “coordenação motora das pernas e pés”.

Muitos dos profissionais dessa área encarnados têm afinidades com esta colônia recebendo dela muita influência, em especial os que fazem “cirurgias de hérnia de disco”, para se aprimorarem as técnicas dessa enfermidade. Cuidam também de serviços relacionados com “paralisias”.

18. COLÔNIA DO ABACATEIRO





Abrange os estados de Goiás e Mato Grosso na região que fica entre o distrito de Aparecida do Rio Claro, próximo a Montes Claros de Goiás (GO), Barra do Garças (MT), Primavera do Leste (MT), Chapada dos Guimarães, Cuiabá, Rondonópolis (MT) e Bom Jardim de Goiás (GO), como pontos de referência. Aparecida do Rio Claro e Cuiabá são os pontos extremos a leste e oeste, e toda a colônia é cercada de abacateiros.

A Colônia desenvolve técnicas e tratamentos específicos no atendimento “renal”, tanto no perispírito quanto no auxílio a todos os processos de enfermidade renal dos encarnados em resgate nesse setor.

19. COLÔNIA “ESTUDO E VIDA”





Encontra-se no Mato Grosso do Sul e parte da Bolívia. No Brasil, envolve a região do Pantanal Matogrossense adentrando a Bolívia pela Lagoa Mandiorê.

A finalidade da Colônia é o estudo da vida. Todo espírito que deseja aprofundar-se em algum estudo de autoconhecimento, para compreensão dos próprios conflitos e desencontros, para qualquer assunto que vise ao bem, à elevação de conceitos e à busca de Deus, desde que tenha “bônus-horas” suficientes para se inscrever na Colônia, poderá dirigir-se a ela e permanecer enquanto desejar.

Espíritos também fazem uma retrospectiva, reprogramando-se para o futuro, verificando que pontos ainda os fazem ingressar na matéria, para posteriormente poderem deixar o planeta Terra em busca de outro.

20. COLÔNIA ARCO-ÍRIS





Localizada na região norte do Brasil, a colônia vai de Porto Velho (RO) a Manaus (AM), em linha reta, abrindo aproximadamente 20 km de largura.

Espíritos volitam entre esses arcos-íris como se fossem viadutos no espaço em tarefas de amparo aos encarnados e conhecidos como “os filhos do arco-íris”.

Estas foram poucas das muitas Colônias Espirituais existentes em nosso país...

Livro: Moradas Espirituais de Vania Arantes Damo


Autor desconhecido

quinta-feira, 15 de junho de 2017

A MORTE é DOLOROSA ? Leia aqui e ACALME-SE definitivamente !




A MORTE DÓI?
Quando morre alguém, sentimo-nos todos tomados por um sentimento de perda e dor. É natural, gostamos da pessoa e desejamos que continue vivendo conosco. Mas, a morte é a única certeza da vida e está enquadrada nos acontecimentos normais da existência de todo mundo. A todo instante, partem jovens e velhos, sadios e enfermos...

E muitos perguntam, talvez temerosos do momento em que também enfrentarão a circunstância e acerto de contas com D. Morte: ela dói? O que ensinam os espíritos a respeito?

Em O Livro dos Espíritos, há um capítulo inteiro sobre o assunto: é o III, do livro segundo, com o título Retorno da vida corpórea à vida espiritual. As questões 149 a 165 esclarecem o assunto. Para não ficarmos em simples transcrição das respostas dadas pelos espíritos, fizemos breve resumo de forma didática para melhor entendimento do assunto. Mas remetemos o leitor à pesquisa direta às questões citadas.
No instante da morte, todo homem retorna ao mundo dos espíritos, pátria de origem;
Uma vez no chamado outro mundo, conserva plenamente sua individualidade;
A separação da alma e do corpo não é dolorosa. O corpo sofre mais durante a vida que no momento da morte;
A alma se liberta com o rompimento dos laços que a mantinham presa ao corpo;
A sensação que se experimenta no momento em que se reconhece no mundo dos espíritos depende do que fizeram em vida. Se foram bons, sentirão enorme alegria. Se foram maus, sentirão vergonha;
Normalmente reencontra aqueles que partiram antes, se já não reencarnaram;
A consciência de si mesmo vem aos poucos. Passa-se algum tempo de perturbação, convalescente, cujo tempo de duração depende da elevação de cada um;

Compreender antes o assunto exerce grande influência sobre o tempo de perturbação, mas o que realmente alivia a perturbação são a prática do bem e a pureza de consciência.

Indicamos ainda ao leitor, estudar o livro O Céu e o Inferno, também de Allan Kardec, onde há diversas descrições do momento da morte e do pós-morte, de espíritos nas mais variadas condições evolutivas. O livro Depois da Morte, de Léon Denis e Obreiros da Vida Eterna, de André Luiz/Chico Xavier também trazem muitas explicações sobre o interessante tema. Há, também, uma série enumerável de livros de mensagens enviadas por desencarnados aos entes queridos que ficaram. Entre eles, o famoso Jovens no além, de 1975, recebido por Chico Xavier. O filme Joelma 23º andar, baseado no incêndio ocorrido em São Paulo, mostra bem a questão da continuidade da vida.

Não tema a morte. Ela faz parte do processo evolutivo. Viva de maneira prudente, faça o bem que puder e quando soar seu momento, vá sem medo. Mas nunca a busque ou a precipite. Tudo tem seu momento na vida e todos temos algo a fazer num tempo programado. Para aqueles que foram antes, guarde a convicção de breve reencontro e ore pela felicidade deles. Eles receberão a mensagem de seu coração.

Orson Peter Carrara

domingo, 28 de maio de 2017

LUTO E RENASCIMENTO:


A equipe de psicólogos e psicanalistas que trabalha em um grande hospital me pede uma palestra sobre perdas. A perda de uma pessoa amada ou a perda da própria saúde, e a proximidade imediata da morte. Que lhes podia dizer, a eles, competentes profissionais que enfrentavam diariamente os rios de dor, medo, esperança e morte que afluem a um grande hospital? Nisso todos eles, mesmo os jovens, tinham muito mais experiência do que eu. Então procurei ser simples. Falar das naturais dificuldades em lidar com qualquer perda. Primeiro, não queremos perder. É lógico não querer perder. Não deveríamos ter de perder nada: nem saúde, nem afetos, nem pessoas amadas. Mas a realidade é outra: experimentamos uma constante alternância de ganhos e perdas. Segundo, perder dói mesmo. Não há como não sofrer. É tolice dizer "não sofra, não chore". A dor é importante, também é o luto - desde que isso não nos paralise demasiado por demasiado tempo para o que ainda existe em torno de nós. Terceiro, precisamos de recursos internos para enfrentar tragédia e dor. O apoio dos outros, o abraço, o ouvido e o colo, até a comida na boca são relativos e passageiros. A força decisiva terá de vir de nós: de onde foi depositada nossa bagagem. Lidar com a perda vai depender do que encontraremos ali. Se crescem árvores sólidas ou apenas alguma plantinha rasteira, teremos muito ou pouco com o que nos nutrir e em que nos apoiar. A tragédia faz emergir forças insuspeitadas em algumas pessoas. Por mais devorador que seja, o mesmo sofrimento que derruba faz voltar a crescer. Para outros, tudo é destruição. No seu vazio interior sopra o vento da revolta e amargura. A perda os atinge como uma injustiça pessoal e uma traição da vida. Sob o golpe da notícia de uma doença grave, ao saber que se pode morrer em breve ou perder a pessoa amada, a gente bate a cabeça contra uma parede alta e fria. Não falo do que é ainda mais sério: não ver mais sentido em nada. Porque até o dia da perda vivemos sem pensar. Corremos desnorteados no tempo em tínhamos, sem refletir e quem sabe sem valorizar isso que agora perdemos: uma pessoa, a saúde, amor, posição, tudo. Se vivemos superficialmente , na hora de meter as mãos em nosso interior encontramos desolação. Não acho que todos devêssemos ser filósofos, eremitas ou fanáticos de nenhuma religião. Não acredito em poses e posturas. Não acredito nem mesmo em muita teorização sobre a vida, a morte, a dor. Mas acredito em afetos e tenho consciência de que somos parte de um misterioso ciclo vital que nos confere significação. E que dentro dele, sendo insignificantes, temos importância. Nesse debate sobre perdas observei como lidamos mal com a dor uns dos outros. Entre nós de momento estar alegrinho e parecer feliz é quase um dever, uma questão de higiene, como tomar banho e estar perfumado. Mas às vezes a gente tem de se permitir sofrer - ou permitir que o outro sofra. Todos nós, amigos, família, terapeutas, médicos, sentimos duramente nossa própria limitação quando alguém sofre e não podemos ajudar. Em certos momentos é melhor não tentar interferir, apenas oferecer nossa presença e atender se formos chamados. Que o outro saiba que estamos ali. Mas não (se) permitir o prazo normal de dor é irreal. Quando é hora de sofrer não teremos de pedir licença para sentir - e esgotar - a dor. Sofrimento, pobreza, doença, abandono, morte - são ameaças, corpos estranhos numa sociedade cujos lemas parecem ser agitar, curtir, não parar, não pensar, não sofrer. A dor incomoda. A quietude perturba. O recolhimento intriga e incomoda os demais: "Ele deve estar doente, deve estar mal, vai ver é depressão, quem sabe um drinquezinho, uma nova amante, um novo namorado..." Para não se inquietarem, para não terem de "parar para pensar", ou porque apenas nos amam e nosso sofrimento os perturba, a toda hora nos dão um empurrãozinho: "Reaja, vamos, saia de casa, pára de chorar, bote um vestido bonito, vamos ao cinema, vamos jantar fora." Também para isso haverá uma hora certa. O luto é necessário - ou a dor ficará soterrada debaixo da futilidade, sua raiz enterrando-se ainda mais fundo, seu fogo queimando nossas últimas reservas de vitalidade, e fechando todas as saídas. Não vou me alegrar jantando fora quando perdi meu amor, perdi minha saúde, perdi meu amigo, perdi meu emprego, perdi minha ilusão... perdi algo que dói, seja o que for. Então, por um momento, uma semana, um mês ou mais, me deixem sofrer. Permitam-me o luto no período sensato. Me ajudem não interferindo demais. O telefonema, a flor, a visita, o abraço, sim, mas por favor, não me peçam alegria sempre e sem trégua. Se não formos demais doentes nem perversos, a dor por fim se consumirá em si mesma. Se soubermos escutar o chamado - que pode ser até mesmo um bilhete amigo. Alguma coisa positiva vai nos fazer dar o primeiro passo para fora da UTI emocional em que a perda nos colocou. Um dia espiamos para o corredor, passamos da UTI para um quarto, finalmente olhamos a rua e estamos de novo em movimento. Ainda estamos vivos, ainda em processo, até morrer. A perda do amor pelo fim do amor, por abandono ou traição, supera toda a nossa filosofia de vida, nossos valores, independente de nós. Nada conforta, nada consola. Como o outro está ainda ali, vivo, talvez com outra pessoa, nossa mágoa e sentimento de rejeição se misturam à inconformidade e às tentativas, eventualmente danosas, de recuperarmos quem não nos quer mais. Muitas vezes, mais do que sonhávamos, um novo amor nos aguarda. Quando ele não aparece e se esgota o tempo, embora sempre seja tempo de amar, aprendemos que há outras formas de amar. Não substituem, mas iluminam: amigos, família, alguma novidade, um interesse. Quem sabe perder nos faça amar melhor isso que só nos será tirada no último instante: a própria vida. Perda de saúde se compensa com lenitivos ou melhoras que a medicina traz. Perda de dinheiro ou emprego podem ser remediados, ainda que exijam novos limites e condições. Perda da juventude tem a ver com o quanto somos vazios ou o quanto são estreitos nossos horizontes. Mas a perda do amor levado pela morte é a perda das perdas. Ela nos obriga a andar por cenários do nosso interior mais desconhecido: o das nossas crenças, nossa espiritualidade, nossa transcendência em suma. Aprender a perder a pessoa amada é afinal aprender a ganhar a si mesmo, e ganhar, de outra forma - realmente assumindo -, todo o bem que ela representava ( mas no cotidiano a gente nem se dava conta ). Uma amiga querida viveu uma experiência semelhante à de tantas mulheres dedicadas: acompanhar a longa doença de quem um dia foi belo e atraente e bom, foi senhor de si. Mas agora se deteriora aos poucos, sente pavor, quer viver, luta entre otimismo impossível ou desalento patético. Podemos chorar com ele ou usar a máscara da serenidade. Falar, calar, contestar - às vezes fugir -, cada caso é absolutamente e intimamente especial. O enfrentamento final não é um fato inesperado, muito menos isolado. É apenas o último de uma longa série de fatos concretos e de conquistas interiores: cada um fez o seu caminho - no sentido literal. Passamos pelo suplício da pompa e circunstância de velório e enterro (sobretudo para quem fica exposto ao público), e sobrevém esse estranhíssimo, mais doloroso aspecto da morte: o silêncio do morto. Não há palavra amiga nem gesto que possam ajudar. É preciso esperar a ação do tempo - que não é apenas um devorador de dias e horas, mas um enfermeiro eficiente. " Você escreve obsessivamente sobre a morte por quê?", pergunta o jornalista. Não, eu não escrevo obsessivamente sobre a morte, mas sobre a vida. Da qual ela faz parte. Escrevo sobre o amor e a vida em todas as formas. Assim também necessariamente falo na morte. Fazendo aqui um pouco de literatura, posso dizer que a morte é que escreve sobre nós - desde que nascemos ela vai elaborando connosco o nosso roteiro. Ela é a grande personagem, o olho que nos contempla sem dormir a voz que nos convoca e não queremos ouvir, mas pode nos revelar muitos segredos. O maior deles há de ser: a morte torna a vida tão importante! Porque vamos morrer precisamos dizer hoje que amamos, fazer hoje o que desejamos tanto, abraçar hoje o filho ou o amigo. Temos de ser decentes hoje, generosos hoje ... devíamos tentar ser felizes hoje. A morte não nos persegue: apenas espera, pois nós é que corremos para o colo dela. O modo como vamos chegar lá é coisa que podemos decidir em todos os anos de nosso tempo. O melhor de tudo é que ela nos lembra da nossa transcendência. Somos mais que corpo e ansiedade: somos mistério, o que nos torna maiores do que pensamos ser - maiores do que os nossos medos. Quando se aproxima dessa zona do inaudito, o amor tem de se curvar: com dor, com terror, submete-se a essa prova maior. Começa a ser ternura; aproxima-se de alguma coisa chamada permanência. Se acreditamos que viver é só comer, trabalhar, transar, comprar e pagar contas, a morte da pessoa amada será desespero sem remissão. Não nos conformamos, não acreditamos em mais nada. Mas se tivermos alguma visão positiva do todo do qual faz parte a indesejada, insondável mas inevitável transformação na morte, depois de algum tempo o amado acomoda-se de outro jeito em nós: continua parte da nossa realidade. Está transfigurado, porém ainda existe. "Com o passar dos anos dói menos", disse-me um amigo que há trinta anos perdera uma filha ainda criança. Conheço um pouco a Senhora Morte. Duas vezes a Bela Dona me pegou duro, me cuspiu na cara, me jogou no chão. Foi-se a cada vez um pedaço importante de mim. Mas como em certos animais, as partes perdidas se refizeram, diferentes - não me sinto mutilada, embora a cada dia sinta em mim aqueles espaços vazios que não voltarão a ser ocupados. Aprendi que a melhor homenagem que posso fazer a quem se foi é viver como ele gostaria que eu vivesse: bem, integralmente, saudavelmente, com alegrias e projetos até impossíveis.
Não sejamos demasiadamente fúteis nem medrosos, porque a vida tem tem de ser sorvida não como uma taça que se esvazia, mas que se renova a cada gole bebido.Refletir é transgredir a ordem do superficial. Somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases do processo. Estamos nele como as árvores da floresta: uma é atingida em plena maturidade e potência, e tomba. Outra nem chega a crescer, e fenece; outra, velhíssima, retorcida e torturada, quase pede enfim para descansar... mas ainda pode ter dignidade e beleza na sua condição. Nestas páginas falei da passagem do tempo que aparentemente tudo leva e tudo devolve como as marés, mas que só nos afoga na medida em que permitirmos. Falei do tempo que faz nascer e brotar, porém é visto como ameaça e sofrimento - o tempo que precisa ser domesticado para não nos aniquilar. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem. Viver como talvez morrer é recriar-se a cada momento. Arte e artifício, exercício e invenção no espelho posto à nossa frente ao nascermos. Algumas visões são miragens: ilhas de algas flutuantes que nos farão afundar. Outras pendem em galhos altos demais para a nossa tímida esperança. Outras ainda rebrilham, mas a gente não percebe - ou não acredita. A vida não está aí apenas para ser suportada ou vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Não é preciso realizar nada de espetacular. Mas que o mínimo seja o máximo que a gente conseguiu fazer consigo mesmo.

Lya Luft, em Perdas e Ganhos

sexta-feira, 26 de maio de 2017

LUTO: VIVER APESAR DE TUDO




Viver é também saborear o gosto acre da morte, do luto. Não apenas da morte propriamente dita, mas das mortes transfiguradas nas inúmeras perdas que sofremos durante toda nossa existência. O menino que fui, morreu para o adolescente que chegou, que morreu para o jovem, para o adulto. Enfim, o dia de ontem morreu para o dia de hoje, o segundo anterior morreu para o segundo quem vem. O passado morre para o presente, e se o luto não for elaborado, viveremos eternamente presos ao instante anterior, onde a vida já deixou de existir, já deixou de ser uma companhia. Viver é uma cidade sem muralhas, dizia Epicuro. Nesta cidade, estamos sujeitos a tudo: a dor e o prazer, a vida e a morte.
A vida e a morte, são como dois bailarinos que sincronicamente fazem juntos todos os seus movimentos; passos, gestos e sutilezas. Dançam juntos a mesma música, a mesma coreografia. A vida enquanto presente, leva uma vantagem de milésimos de segundos da morte, enquanto passado. Porém, a linha é tão tênue e sutil, que não percebemos a diferença. Por vezes, esse luto mais cotidiano, ordinário, passa desapercebido, não damos atenção porque aparentemente são segundos banais. Entretanto, quando nos damos conta, estamos com 70, 80 anos de idade e em um leito de morte. Só então é que teremos a sensação de não termos vivido, da vida ter se esvaído como água por nossos dedos. Ficamos tão agarrados ao passado, tentando pegar o abstrato, ver o invisível, que não nos damos conta, de que o presente fluía com todas as suas possibilidades. Mas, infelizmente “não estávamos lá” para usufruir. Só agora que estamos na eminência da “última morte”, é que percebemos que sem a morte não há vida, e que aceita-la, significa a possibilidade de uma nova vida que se renova a cada instante.
A todo o momento há falta. Essa falta, de qualquer forma pode trazer dor, e quando não aceitamos, pode nos trazer sofrimento. E pelo fato de não ser aceitar, há luto. Com isso, temos a cômica, ou trágica imagem do cachorro correndo atrás do próprio rabo. O real nos nega o objeto de desejo, nós negamos que nosso desejo foi negado pelo real, o que fatalmente resulta em dor. Nos revoltamos contra a vida, e a achamos injusta, sofremos ainda mais.
A impressão é que a realidade é o grande carrasco do desejo. E na verdade o é. Todavia, a realidade também é bondosa como uma mãe que às vezes é dura sim, mas que nos ensina a viver, a amar, a usufruir o que a vida tem a nos oferecer, apesar da morte, apesar da perda. A realidade às vezes concede nossos desejos e se não estes, outros, e com o tempo, aprendemos que também podemos ser felizes com estes “outros”. A felicidade não depende das perdas, mas sim do que conseguimos ganhar, e é isso o que importa.
Nada mais certo e normal que a morte, tudo o que tem um início, fatalmente terá um fim, e todos sabemos disso, porém preferimos nos enganar pensando que tudo é eterno. Meu namoro, meu casamento, meu cachorro, meu emprego, meus pais, meus avós, eu mesmo; todos eternos e perde-los não estava no escript. O trabalho de luto é aprender a dizer sim, tanto para a vida, quanto para a morte; para os ganhos e para as perdas.
Vida Breve
Uma vida não é senão um breve instante na eternidade, independente do quanto dura esse instante, é imprescindível que seja bem vivido, do contrário, a vida será um hiato, um vazio sem sentido. Dentro de cada vida, muitas outras vidas perfilam, vidas que a todo instante deixam de ser, deixam de existir, porque outras estão à espera. E cada finalização dessas breves existências, nos trazem o luto e sua conseqüente e necessária elaboração. Este que nos possibilita o desapego, a libertação de uma das mortes de nossa vida, para que novas possam nascer.
Aquele morreu quando estava para aproveitar a vida, desgostoso por ter sido tão breve e pouco vivida, ouve-se o comentário. Sendo assim, o que se lê é: aquele nunca aproveitou a vida! Sua existência correu rápida e descolada de si mesmo, e dela, não se aproveitou ou pouco se aproveitou. E porque até então não se pôde aproveitar? Por certo temos aqui a ausência do bem viver, portanto a dificuldade em morrer. Dificuldade, porque achamos que a vida não foi suficiente, queríamos mais, pois não nos sentimos preenchidos.
Este morreu feliz, conseguiu realizar seus sonhos. Portanto, este morreu completo, e talvez com uma morte bem aceita. Quando vivemos mal, a morte nos tira a vida, e a perda é vista como um roubo. Quando vivemos bem, a morte é apenas o último estágio da vida, a perda pode até deixar um vazio, mas não a revolta, não o sofrimento sem tréguas. Este por certo, perceberá que a vida continua, mesmo após uma perda ou morte. E na eminência do próprio fim, se liberta por si mesmo da vida que tanto lhe proporcionou, e sendo ele sabedor deste fim, parte tranqüilo e sereno.
“A morte só nos tomará o que quisermos possuir”, dizia Sponville, e Freud complementa: “não sabemos renunciar a nada. Apenas sabemos trocar uma coisa por outra”. E isso, a realidade pode nos dar. Posso amar outros, ser outro, ter outros. Constantemente travamos uma luta entre nossos desejos, amores ou posses, e a realidade – os impedimentos para alcançarmos tudo o que queremos – Muitas vezes, o real é mais forte, e perdemos essa briga.
O luto pode acontecer tanto do que tínhamos e perdemos, como: emprego, empresa, casamento e morte de um ente querido. Quanto do que esperávamos ter, mas que até o momento não conseguimos, como uma promoção, o carro que não conseguiu comprar, uma paixão que nunca foi correspondida ou ganhar o prêmio na loteria. E tão maior for nosso apego ao que temos ou ao que poderíamos ter, tão maior será o sofrimento caso perdemos. Elaborar o luto é se libertar do desejo, quando ele não pode ser realizado. Isso não serve para dizer que não devemos correr atrás de nossos sonhos, ou viver intensamente nossas paixões e que não devemos empreender nosso máximo para conseguir, mas sim, para dizer que a vida continua apesar de não ter conseguido. Acredite, o mundo é generoso.
A dor do luto
O luto como já dito, carrega em si a dor, viver é estar em constante luto e elaboração do mesmo. Essa elaboração é a ponte que nos leva da dor ao prazer. Luto é aprendizagem, é experiência. O luto nos torna humanos, que sabemos, somos mortais. Portanto, a morte é nossa fiel amiga e não podemos fugir dessa fidelidade. Ela pode ser ludibriada, se postergada, atrasada, mas nunca deixará de vir ao nosso encontro, como disse ela é fiel e cumpre o que promete, cedo ou tarde. Ela nunca deixa de estar presente, para nos mostrar como num espelho, nosso corpo a todo tempo desnudado pelo real. O real é a própria morte, são as perdas, os fracassos, as decepções, as frustrações, as amputações do desejo. Entretanto, o real nos pega mesmo a contra gosto, e por vezes nos mostra exatamente o contrário, que tudo tem um fim, que tudo isso não passa de um conto de fadas. O castelo de cartas cai por terra. Dor, sofrimento, luto.
A elaboração do luto é a aceitação da realidade tal como ela é, nua e crua. É aprender a viver com a ausência, com uma perda, buscando algo novo que nos vá preencher. Nunca é claro, o mesmo preenchimento, apenas um novo. O luto é da morte, não da vida. O que morre são partes de nós, o todo continua vivo. Assim como, a cada dia milhares de células morrem em nosso corpo, porém, milhares nascem para manter o todo nas melhores condições possíveis, e pelo maior tempo possível.
Por Odair José Comin

quarta-feira, 24 de maio de 2017

AS REPERCUSSÕES DO LUTO NO IDOSO


O luto pode representar um processo de grande impacto no idoso, pois este traz consigo perdas pessoais e sociais decorrentes de a velhice ser estigmatizada como fase da invalidez ou da condescendência. Por isso, devemos considerar que trabalhar emocionalmente as perdas decorrentes de alterações físicas e isolamento social é complicado, e pior se associadas à morte do cônjuge e, principalmente, de um filho.

Os ritos de morte e de luto, importantes para o psiquismo, vêm sendo desconsiderados ou realizados rapidamente; porém, “para que a morte de um ente querido não assuma formas obsessivas no inconsciente é necessário ritualizar essa passagem” (Brasil Escola, s/d). A desconsideração formal ocorre tanto por parte da sociedade como da própria família, o que requer uma mudança de atitude do meio acadêmico, para que se traga à discussão o tema e então se possa efetivamente cuidar do enlutado, principalmente o idoso, desconsiderado em suas múltiplas necessidades, principalmente as emocionais.

Durante o processo de luto é importante avaliar que tipo de ajuda se faz necessária. É importante permitir a ritualidade do processo, que pode ser diferente entre culturas e pessoas, não sendo possível estipular um padrão de comportamento. A ajuda pode surgir de diferentes áreas, como a profissional, a leiga e, principalmente, a religiosa.

O idoso deve ser acompanhado e deve-lhe ser permitido tempo para reorganizar-se emocionalmente. Na fase inicial do luto ele pode ter necessidade de ajuda para atividades básicas da vida diária, pois “ a máscara usada no funeral não pode mais ser mantida e é necessário que algum parente ou amigo próximo assuma muitos dos papéis e responsabilidades do enlutado, deixando-o livre para vivenciar o luto” (Parkes, 1998, p. 205)

A expressão emocional deve ser permitida abertamente, não se considerando a necessidade de medicalizar o fato. O enlutado deve ser livre para expressar seus sentimentos de raiva e angústia, que comumente ocorrerão para com aqueles que o ajudam, pois são os que mais estarão reafirmando a perda.

Importante considerar que “ o enlutado tem uma tarefa dolorosa e difícil para realizar, que não pode ser evitada nem apressada. A verdadeira ajuda consiste em reconhecer o fato e permitir que ele se organize para que fique disponível para elaborar a perda” (Parkes, 1998, p. 205).

No idoso em processo de luto podem ocorrer alguns distúrbios, como os do sono e da alimentação, ou ainda manifestações somáticas, sendo comum falta de ar, aperto no peito, falta de energia, insônia, passividade, alucinações e ansiedade.

As alterações do sono podem estar relacionadas à somatização ou dever-se ao fato de que “ durante o sono ou em períodos de atenção relaxada, as lembranças dolorosas tendem a invadir nossa mente e nos pegamos revivendo o trauma mais uma vez” (Parkes, 1998, p. 59).

João Batista Alves de OliveiraI; Ruth Gelehrter da Costa LopesII

IMédico. Mestre em Gerontologia
IIDoutora em Saúde Pública. Vice-Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Gerontologia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP

segunda-feira, 22 de maio de 2017

QUANDO O LUTO SE TRANSFORMA EM DOENÇA


Lidar com a perda de um ente querido não é tarefa fácil. Entretanto, o luto é um processo pelo qual – infelizmente – todas as pessoas deverão passar a fim de amenizar o sofrimento gerado pela ausência do outro. O problema ocorre quando essa fase natural se torna mais difícil que o habitual: o que os especialistas chamam de “luto complicado”.


A psicóloga Juliana Batista, do HCor (Hospital do Coração), em São Paulo, explica que todo processo de luto tem um começo, um meio e um fim.
“Diversas reações emocionais são despertadas [com a morte de alguém], como tristeza, ansiedade, culpa e raiva. Isso é muito comum. A pessoa também pode, num primeiro momento, querer se isolar do convívio social. Em relação às alterações físicas, podem ocorrer sudorese, palpitação e fraqueza, já que o corpo fica sob estresse. A reação varia de pessoa para pessoa, mas não há como evitar o processo de luto.”

Todo mundo se pergunta quanto tempo esse processo vai durar. Segundo a psicóloga, é bastante comum ouvir a queixa: “faz tanto tempo que fulano faleceu e a esposa ainda não superou a perda”. Na verdade, não existe um tempo certo para superar a perda de alguém, isso depende de cada pessoa, do modo como ela enfrenta e aceita a situação. Para alguns pode demorar meses, para outros, anos.

“O primeiro ano após a perda é o mais difícil, porque é nesse ano que ocorrem todos os primeiros aniversários sem a pessoa próxima. Isso não significa que seja necessário um ano exato para superar a morte. Um processo de luto é bem sucedido e finalizado quando a pessoa consegue superar a perda e seguir em frente. Não é que ela vai esquecer a pessoa, pois as lembranças e a ausência continuarão. Entretanto, a perda não vai mais ocupar um lugar de destaque [na vida dela]”, explica a psicóloga.

Quando por algum motivo o indivíduo não consegue passar por essa fase, ele entra no chamado “luto complicado”. Geralmente, isso acontece com pessoas que perderam entes de maneira abrupta, como em acidentes, tragédias e casos de suicídio e na morte precoce de um filho. “Nesses casos, todo pensamento e ato estarão associados à perda, a pessoa não consegue se desligar. Ela deixa de realizar as atividades costumeiras, como ir ao trabalho e ao supermercado. O problema é que, diante de um enlutado crônico, muitas vezes as pessoas querem medicá-lo para sanar os sintomas quando, na verdade, ele precisa ser ouvido”, completa a médica.

Em contrapartida, há aqueles que agem como se nada tivesse acontecido e, alguns dias depois da morte, voltam a trabalhar e lotam a agenda de compromissos. Mas, ainda segundo a especialista, indivíduos que agem assim, na verdade, precisam de cuidados especiais, pois ocupar-se excessivamente é uma maneira de fugir do problema.

Juliana Conte

sábado, 20 de maio de 2017

A VIDA ALÉM DA VIDA: UMA TEORIA SOBRE A IMORTALIDADE


Imagem retirada da série original da Netflix ''The OA"'
publicado em recortes por Charlote Claire


Desde a gênese da humanidade, há lendas que compõem uma crença indubitável na vida além da morte. O medo do purgatório e a teoria de um paraíso deixa claro que o homem tem certa necessidade de ser imortal. Todavia, existem diversos relatos ao redor do globo sobre as famosas EQMs que até hoje geram debates e servem de inspiração para séries de tv e filmes


É fato que a maior parte das religiões criadas pelos seres humanos pregam sobre a vida após a morte. De forma geral, os cristãos, islâmicos e judeus creem na ressurreição, ou seja, o retorno do espírito ao mesmo corpo físico, já os espíritas acreditam na reencarnação, um retorno da alma em diversos corpos novos até atingir o estágio final da evolução.

A repercussão de uma vida além da morte também foi discutida por grandes filósofos da Grécia Antiga, como Platão e Plotino, especialmente Pitágoras que acreditava na transmigração da alma para outro corpo após o falecimento.

Atualmente, a ''comprovação'' mais próxima de que haja realmente vida além da morte está nos relatos de indivíduos que sofreram uma experiência de quase morte. EQM refere-se às alucinações vivenciadas em situações de morte iminente, são normalmente relatadas depois que o paciente é dado como morto, ou seja, os órgãos, inclusive o cérebro e o coração param de funcionar. Alguns médicos e cientistas pensam que tais experiências sejam evidências de um dualismo mente-cérebro (uma independência do pensamento em relação ao cérebro) e de vida após a morte, pois clinicamente quando há o falecimento do cérebro significa que o indivíduo está morto, portanto impossibilitaria a criação de alucinações.

A maior parte das pessoas que descrevem EQMs falam sobre flutuar sobre o próprio corpo ou serem guiadas ao encontro de uma luz brilhante. Willoughby Britton, que trabalha com pacientes terminais, segundo a revista Superinteressante, diz que pessoas de crenças diferentes podem ver as respectivas divindades, a presença é descrita usualmente como um ser iluminado amoroso e acolhedor. Com isso, é possível concluir que existe um padrão sobre as experiências de quase morte.

Britton conduziu um estudo que sugere que o cérebro pode apresentar diferenças em sua fisiologia depois da experiência de um indivíduo. Uma psicóloga americana admitiu que parte das pessoas que vivenciaram EQM têm um funcionamento anormal do lobo temporal durante o sono comparado aos indivíduos que não passaram por morte clínica, contudo, não é possível dizer se essa anormalidade é causa ou consequência da experiência. Além disso, Pim Van Lommel, um pesquisador holandês, percebeu em sua pesquisa que o índice de mortalidade das pessoas com EQMs foi superior ao de quem não guardava tais memórias, sugerindo que durante EQMs pode haver uma alteração no funcionamento das células neuronais. Nesse caso, o cérebro ainda estaria dando sinais vitais, porém tão sutis que o eletroencefalograma não seria capaz de detectar, um esforço para viver pela última vez.

Tais depoimentos e pesquisas acendem a chama da curiosidade pelo mistério da morte. A exemplo da série da Netflix ''The OA'' e do mais novo filme ''The Discovery'', pode-se perceber uma tentativa de abordar o tema por meio de EQMs, ambas as produções narram o enredo sob o teto das experiências de quase morte. Em ''The OA" a morte se trata de uma escolha, a personagem principal sofre uma EQM e diz ter uma escolha: ficar no mundo espiritual ou voltar à vida. Já em ''The Discovery' o assunto vai bem mais além, a EQM vivenciada é um indicativo de uma segunda chance, exemplificando, quando o indivíduo morre ele reencarna em um universo pararelo diversas vezes até ser capaz de consertar o erro que cometeu antes.

Imagem retirada do filme da Netflix ''The Discovery''

Por outro lado, durante a vida propriamente dita, a medicina e a ciência anseiam por descobertas que auxiliem na cura de todas as feridas físicas e psicológicas. O dilema hoje é tornar o homem moderno mais adaptável às mudanças causadas por ele e pelo próprio ambiente a fim de atingir uma longevidade maior, isso tem sido alcançado aos poucos durante os séculos que se passaram e o avanço da medicina. A verdade é que o ser humano deseja ser imortal de qualquer forma, seja na vida ou na pós-vida.

A sede pela eternidade é algo natural para qualquer organismo com vida, uma das maiores necessidades é a reprodução dos genes e que é justamente a eternização da espécie ou indivíduo. Em suma, biologicamente já atingimos a imortalidade e agora o que nos sobra é a ideia de eternizar não só alguns pares de genes, mas o ''espírito'', pois segundo a passagem bíblica de Gênesis 2:7 “Então formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente”, nós somos carne e espírito, somos alma vivente.

Desse modo, com esse pensamento, vem o medo do inferno e o anseio pelo céu. Ambas as formas trazem a imortalidade, seja pelo sofrimento eterno no purgatório ou sensações inexplicavelmente boas no paraíso. É impossível nos dias de hoje afirmar que há uma verdade ou mentira sobre essas teorias e muito provavelmente apenas desvendaremos esse mistério no fim do ciclo da vida. Ou será no começo?



REFERÊNCIAS: http://super.abril.com.br/ciencia/na-fronteira-da-morte/ http://www.infoescola.com/filosofia/dualismo/http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG65777-5856,00-SAI...http://espiritismoemcristo.blogspot.com.br/2013/08/ressurreicao-ou-... http://super.abril.com.br/sociedade/viagens-ao-outro-lado-da-vida/http://www.evangelhoperdido.com.br/o-que-diz-a-biblia-sobre-o-estad...

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