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segunda-feira, 11 de junho de 2012

CARTA DE UMA MORTA:


CARTA DE UMA MORTA
                               Querida Mamãe e meu querido pai Álvaro. Não sei explicar a grande emoção que envolve meus pensamentos nesta hora. Parece um sonho, mamãe, estarmos juntas novamente através desse intercâmbio.  Peço-lhe não chorem mais o que ficou para trás no tempo em forma de sofrimento. Como aconteceu o inesperado? Tudo aconteceu muito rápido como se naquela manhã tivéssemos de obedecer às Leis de Deus a fim de que a gente trocasse de vida e de  corpo.
                               Quando recebi a notícia do fogo, o tumulto fora da sala era muito grande e eu preocupada em terminar meus trabalhos não percebi que o fogo estava tão próximo de mim. Foi tarde demais quando dei conta e naquele momento de desespero resolvi acompanhar a todos que estavam em direção ao elevador que não podia mais aguardar-nos.
                              Esforcei-me, naquele momento, para alcançar um elevador, porém, não tinha mais jeito. Resolvi apressadamente subir para os andares de cima do prédio para alcançarmos um helicóptero mas era impossível levar a todos naquele desespero. Entendi mamãe que tinha chegado a minha hora e orei, orei como nunca na minha vida, lembrando de toda a minha existência em um só momento. Atravessei tudo com a prece no coração! E posso dizer a você mãezinha que um brando torpor invadiu meu  espírito e desmaiei.
                               O calor era muito grande para que fosse sentido por nós e  compreendi que tinha chegado a minha hora e aceitei. Recebi a visita do vovô Álvaro e outros amigos espirituais e por isso não sofri tanto. Lembrei nossas preces e nossas conversas em casa e não procurei dar ouvido ao desespero dos colegas em torno de mim. O sentimento de resignação  e fé me auxiliaram para que pudesse ser socorrida. Mais tarde despertei ao seu lado no Instituto de Medicina Legal. Logo em seguida meu avô Álvaro me informou que tudo estava consumado e que precisava esquecer a ilusão de que estava no corpo. Levaram-me para um pronto socorro espiritual onde estou em tratamento.
 Querida mamãe, chorei muito, mas Deus não abandona os que têm fé. Alguns dias após estive sempre ao seu lado. Agora estou em paz. Meu avô e outros amigos espirituais estão me ajudando na recuperação necessária.
                              De minha parte, estou melhorando a cada dia. Agradeço as suas preces e as orações de VOLNÉIA e VOLNELITA, de CÉLIA e outras amigas. Quando posso sempre volta à nossa casa.
                               Querida mamãe, continue forte e tenha muita calma! Acredite,  mamãe, a morte não existe; o que existe é a mudança que, geralmente, não é fácil de suportar.
                              Mamãe, ouça-me dando notícias e recorde aqueles recados: Mãezinha, fique tranquila; Mãezinha, estou bem; Mãezinha, cheguei, etc. Esteja certa, mamãe, de que com o beijo de todos os dias e o carinho de todos os momentos, continua sendo sempre sua, a filha de sempre, que tanto a ama,
                                                      VOLQUIMAR.
NOTA:
Volquimar Carvalho dos Santos nasceu em GUARATINGUETÁ-1/7/52, faleceu carbonizada em 1/2/74, no EDIFICIO JOELMA na manhã do dia 1/2/74, com 21 anos de idade. Trabalhava 23º andar na CREFISUL, como digitadora, desencarnando 4 mêses depois. Seu corpo foi sepultado no cemitério de Cachoeirinha-SP.

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