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domingo, 23 de junho de 2013

APRENDENDO A VIVER Á PARTIR DO LUTO:



APRENDENDO A VIVER A PARTIR DO LUTO

A morte, por si só, é um mistério, é incompreensível, e é um assunto que ninguém gosta de falar. Aos olhos da fé a morte não é o fim. Cremos que a partir dela se inicia uma nova vida, plena, feliz e eterna. Isso não quer dizer que somos indiferentes e não sofremos por causa dela, mas, amparados pela fé, cremos que nossos filhos estão vivos na presença de Deus, e temos esperança de um dia reencontra-los no céu. Sem a fé a morte é o fim. O desespero chega, a dor nos vence. Mas não é nada fácil essa compreensão. Por isso precisamos de tempo, de um avanço na fé, precisamos da graça de Deus nessa hora tão difícil e cruel.

O luto é um processo, um tempo necessário que precisamos para aprender a viver com a dor causada pela morte de um ente querido, no nosso caso um filho ou uma filha. Não tem como não viver esse processo. É nesse tempo que vamos reaprendendo a viver, a refazer nossa vida e nossa rotina de outra forma.

São vários os estágios do luto, e nem sempre vivemos todos. Existem momentos de tristeza profunda, de silêncio interminável, de questionamentos desesperadores. Experimentamos sentimentos contraditórios, emoções nunca vividas, nem conhecidas. Mas aos poucos a dor se acalma e vamos colocando as emoções nos lugares. Aos poucos vamos percebendo que é preciso retomar a vida, seguir em frente, amar e cuidar daqueles que ficaram ao nosso lado, que também precisam e contam conosco para seguir suas vidas.

Sabemos que nunca mais seremos os mesmos, mas podemos e devemos lutar para que esse sofrimento nos faça pessoas melhores, que valorizam cada minuto como se fosse o último, que aprendem a olhar a vida com os olhos da fé, valorizam o que realmente precisa ser valorizado, e conseguem perceber em cada gesto o amor de Deus sendo derramado sobre nós. São atitudes sábias que transformam a dor em aprendizado, em passos largos rumo ao encontro dos nossos filhos no céu. Do contrário ficaremos parados, imobilizados, indiferentes ao amor de Deus, dos nossos filhos, familiares e amigos que estão conosco.

O sofrimento pode nos paralisar ou nos ensinar, depende exclusivamente de nós. É claro que num primeiro momento a dor nos tira o chão, mas aos poucos precisamos confiar mais em Deus e seguir em frente. Não dá para simplesmente “virar a página” e esquecer. Não é possível arrancar a saudade do coração, porque ela é a presença dos nossos filhos no coração. Ela só não vai doer se esquecermos, e quem deseja esquecer? As lágrimas nunca secarão, mas qual o problema? Elas não significam fraqueza nem falta de fé. A superação dessa dor, se assim podemos dizer, só se dá a partir de um processo, e cada um tem seu tempo, e não significa esquecimento, ou que não sentiremos dor com as lembranças.

Superar, no nosso caso, também significa continuar, reaprender a viver, refazer a vida a partir dessa dor. É seguir em frente mesmo sem as respostas para os questionamentos. É buscar em Deus forças para enfrentar a vida com suas alegrias e tristezas. É olhar bem além dessa dor e crer que nossos filhos vivem em Deus e com Deus. Já que não podemos mudar a situação, podemos ao menos mudar a maneira de como enfrenta-la.

Superar é aprender a olhar além da dor, além do quarto vazio, das gavetas intocáveis, do violão que há muito está silencioso… É aprender a olhar além da dor pela falta daquela voz suave a nos chamar de “mamãe”, “papai”, daquele abraço que não nos envolve mais, daquele sorriso que preenchia nosso coração.

É compreender que embora a casa tenha ficado mais vazia, mais triste, nela moram pessoas escolhidas por Deus para fazer parte da nossa vida. Cada filho é único e seu lugar jamais será preenchido, sabemos disso, e justamente por isso não podemos nos fechar na dor e deixar de amar com toda intensidade aqueles que ficaram e, e em alguns casos, aqueles filhos que ainda virão, pela graça e misericórdia de Deus. Que o amor gravado por Deus em nosso coração nos dê sempre, e cada vez mais, força, coragem, fé e a esperança de um dia reencontrar com os nossos filhos no céu.

“A vida do exílio é brevíssima. Assemelha-se a uma noite passada em má hospedaria. O pensamento de que tudo passa projeta sobre o sofrimento de hoje um raio abençoado de eternidade. O tempo é uma miragem. Deus já nos vê em sua glória” (Santa Teresinha).

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