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terça-feira, 29 de outubro de 2013

PALAVRAS DE SAUDADE:


Quem já passou pela experiência de despedir-se de alguém que muito ama, sabe o quanto dói acompanhar seu sepultamento.

Ou entregar o corpo para a cremação. Afinal, o ser que animava aquele corpo foi infinitamente amado, acalentado.

Mais do que isso, a sequência dos dias não ameniza a dor da saudade, que só faz aumentar.

Quando a pessoa que se vai, nos braços da morte, é idosa, há um certo consolo, que se expressa com: Ela vai descansar. É justo que descanse, depois de tantas lutas.









Mas, quando são os jovens, as crianças que se vão, de forma prematura, a dor parece não ter dimensão. Por isso, quando lemos a carta daquela mãe, endereçada à sua pequena, que partira há oito meses, nos comovemos:

Filha querida. Oito meses se passaram, desde a nossa despedida. Incrível como o tempo passa...

Ainda espero sonhar com você para abraçá-la e poder de novo acalentá-la em meus braços, como o fiz durante quase cinco anos.

Hoje, me detive a recordar detalhes de você. Lembrei de quanto você desejava ajudar-me nas tarefas da casa.

Que tá fazendo, mamãe? Qué ajudá.

Recordei que a colocava sobre uma cadeira para alcançar a gaveta de temperos e que, enquanto cozinhava, você ia me alcançando o que pedisse.

Você não os podia ver, mas reconhecia todos pelo cheiro.

Este é manjelicão. Este é manjelona. Mamãe, cadê a canela?

Lembrei de quando fazíamos pastel e eu punha a massa em suas pequenas mãos, para que me ajudasse a colocar o recheio.

E o dia em que sua avó foi lhe ensinar a fazer bolachinhas... Quando lhe explicou que as duas mãos tinham que ficar juntas, enrolando a massa, para lá e para cá, você a surpreendeu, dizendo: Eu sei, vovó. Eu tenho pática!

Quantas risadas demos, nessas ocasiões. E, como numa catadupa de recordações, fui ouvindo sua vozinha a pedir pão de magaína ou biscoito de anelzinho, seu biscoito de polvilho predileto.

Quantos nomes inventamos juntas para tantas coisas: a caininha da mamãe, que não era nada mais que carne moída; o pudim de coate da vó, ou seja, de chocolate.

Que lindo mundo nós criamos! Saiba que foi uma honra imensa conviver com você.

Que bela lição de amor você nos deixou, meu anjo! Mamãe Luciana.









As palavras parecem brotadas de uma saudade, feita de espera e de certeza. Espera de um reencontro, em algum momento dessa ou de outra vida.

Certeza de que seu pequeno anjo vive a Imortalidade do Espírito. E por isso, a mãe lhe escreve, contando que as palavras lhe chegarão, onde quer que se encontre, nesse imenso mundo espiritual.

Que conforto é a certeza da Imortalidade para os que permanecem na Terra!

Saber que os amados vivem, que os ouvem, os veem. Saber que, pelos fios do pensamento, lhes podem endereçar vibrações de carinho, é um doce consolo.

Ter a certeza de que o reencontro se dará, algum dia, que não se perde o amor, mesmo que o ser amado esteja invisível aos olhos carnais, é reconforto para quem padece a ausência física da pessoa amada.

Faz bem à intimidade poder prosseguir o diálogo, mesmo que, por vezes, a resposta não possa ser bem entendida por quem endereça as indagações, os anseios e externaliza em palavras a saudade.

Imortalidade! Que extraordinário presente nos concedeu o Pai celeste aos nos criar.

Sejamos gratos por isso.










Redação do Momento Espírita, com base em algumas linhas
traçadas por Luciana Costa Macedo para sua filha Luana,
no oitavo mês de sua desencarnação.



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