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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

PARA MELHOR "VIVER" A MORTE DE UM FILHO:



Para melhor viver a morte de um filho:

Entre todos os lutos, o mais difícil é sem dúvida aqueles dos pais que perdem um filho quer seja por acidente. doença, aborto ou durante a gravidez. Deve-se considerar alguns pontos muito importantes:

1 -A morte de um filho provoca um luto profundo porque os pais se identificam muito com os filhos e vêem-nos como a sua continuação e o seu futuro. Além disso, como os pais são os primeiros e principais responsáveis pelo crescimento e proteção do seu filho, quando ele morre, sentem que falharam na sua tarefa e obrigação e isto fá-los experimentar uma grande culpa.

2 -Acontece muitas vezes que, derrotados por este sentimento de culpa, um dos cônjujes tem tendência a acusar o outro da morte do filho(a). Mesmo que essa acusação nem sempre seja claramente expressa. ela faz-se sentir por uma falta de paciência e irritabilidade para com o culpado".

3 -É frequente verificar-se, após à morte de um filho, uma quebra de comunicação entre os pais. Um deles, em vez de conseguir escutar o outro, exige que este reprima os seus sentimentos: "Para de chorar... deixa de falar nele(a), isso não o(a) fará voltar..." Este, não se sentindo compreendido naquilo que está sentindo, tem tendência a deixar de comunicar

4 -Muitas vezes o luto dos pais é feito de forma completamente diferente e até oposta. Cada um, por sua vez, vive períodos de dor aguda seguidos de uma certa melhoria. Mas quando um consegue atingir esta fase, sente-se arrastado pelo outro que entra numa nova fase de "depressão".É assim que, para evitar esta dolorosa situação, os cônjuges chegam a evitar-se um ao outro

5 -Os pais têm que perceber que são pessoas únicas e que vão viver o luto de forma diferente. Um poderá exprimir abertamente as suas emoções enquanto que o outro as recalcará. Um começará a trabalhar sem parar enquanto que o outro se sentirá sempre cansado. Um gostará de lembrar recordaçôes e o outro há de querer esquecê-las. É preciso muita compreensão e tolerância para deixar que cada um faça o seu luto à sua maneira, sem se sentir ameaçado.

6 -A intensidade do luto varia de acordo com a reIação que cada um mantinha com o seu filho, as aspirações e expectativas sonhadas para ele(a). A intensidade emotiva do luto de um dos pais poderá parecer desproporcionada em relação à do outro.

7 -A morte de um filho pode perturbar a vida sexual do casal. Num pode verificar-se um aumento de apetite sexual enquanto que no outro acontecerá o contrário. E esta perturbação pode durar até dois anos após a morte do filho. É muito importante que, desde logo, haja um diálogo franco entre os cônjuges a respeito da sua vida sexual. Por vezes, é necessário recorrer à ajuda de um profissional.

6 -As mudanças súbitas provocodas pelo luto de um filho podem ser fonte de mal entendidos e conflitos entre os cônjuges. Um deles poderá entrar num estado de confusão não sabendo como adaptar-se à evolução rápida do outro.

9 -Para atravessar a dor da morte de um filho, o casal terá por vezes que procurar o ajuda de um profissional.

10-Fala-se muitas vezes de uma gravidez que não chegou ao fim como de "um Deus silencioso" porque esta perda passa despercebida. É um luto que, embora seja vivido de forma dolorosa principaJmente pela mulher. não é conhecido ou reconhecido pelas pessoas com quem ela convive. Acontece que a mãe em luto evita falar no assunto e guarda com ela a sua tristeza, Isto pode dar origem ao desenvolvimento de perturbações somáticas ou psicossomáticas.

11-Acontece algo muito parecido com o aborto. A maior parte das vezes é tudo feito secretamente de forma a que a perda da criança não é sequer conhecida. A mulher, confrontada com a decisão de fazer o aborto sente-se dividida: uma parte dela quer ficar com a criança. A outra parte sente-se incapaz de assumir tal responsabilidade. Acontece que, depois de um aborto, um dos cônjuges desenvolve algum ressentimento para com o outro que pode muitas vezes degenerar em divórcio porque a mulher sente que o marido não a acompanhou nem a encorajou a ficar como seu filho.

Jean Manbourquette

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