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domingo, 15 de abril de 2012

ANTE OS FILHOS QUE NÃO PARTIRAM....


Ante os filhos que não partiram

(Regis de Morais, no livro Na maior das perdas – a divina consolação)

Somos às vezes superficiais e levianos ao avaliarmos o sofrimento em que consiste a perda de um irmão ou irmã. Olhamos para adolescentes e jovens e os vemos quase indiferentes à partida de uma irmã para o mundo espiritual; vemo-los irritantemente silenciosos na força de sua juventude. “Ora, irmãos não sofrem tanto quanto pai e mãe!” Quando na verdade, embora os irmãos não sofram da mesma maneira que os pais, em muitas situações padecem tanto quanto eles. Temos frisado que, no estágio evolutivo no qual nos encontramos, toda perda é uma forma de mutilação; e toda mutilação é vivida como sofrimento de humilhação perante a vida. Deus permita chegue um dia em que nos seja dado viver o passamento de entes amados com força espiritual e desprendimento, inteiramente harmonizados com o sentido da “vida após a vida”! Por ora, a morte de uma pessoa amada deixa-nos na mais completa perplexidade, sofrendo a truculência da vida que nos impõe subitamente uma sangrante saudade. Aqueles que, em sua adolescência ou juventude, perdem um irmão ou irmã também jovens, para além da rudeza do golpe da perda vivem sentimentos difíceis e densos de amargura. É como se, a mais de se verem amputados de um pedaço vital de si mesmos, tivessem que experienciar algo como um sentimento de culpa por terem permanecido junto aos pais. Sim, pois ao assistirem ao inaudito sofrimento de seus pais, baixam os olhos de compaixão e como que desapontados por não haverem partido também. Pai e mãe falam e pensam seguidamente no filho (ou filha) desencarnado; depõem flores ao pé dos retratos do ente falecido; respondendo à atenção dos que vêm visitá-los, dissertam longamente sobre o ser querido que foi colhido e levado da família. Algo como se nem enxergassem nitidamente os filhos que ficaram, – figuras feridas e humilhadas por uma triste conjuntura familiar. Eis porque muitas vezes os filhos que não partiram entram num perigoso clima psicológico de sentimento de culpa. É evidente que de nada têm culpa, mas a situação que vivem em sua imaturidade é tão confusa e mortificante que são tomados por uma fantasia de culpa torturante. Naturalmente que filhos são insubstituíveis. Cada qual tem seu jeito de ser, suas peculiaridades, de modo que o vazio deixado por uma filha desencarnada não pode ser preenchido substitutivamente por outro dos filhos que ficaram. No dia em que uma mãe sofrera o indescritível abalo da morte de um filho jovem, estudante universitário, atleta, cheio de projetos de vida, assistimos a um episódio denso de verdade. Uma pessoa amiga, com certeza cheia das melhores intenções, disse àquela mãe em desespero: “Tenha coragem! afinal você tem seu outro filho vivo, graças a Deus!” Ao que a sofrida mãe respondeu entre humilde e irritada: “Ora, um é um; o outro é o outro. Agradeço a você, mas – sei lá! – uma coisa não compensa a outra!” Pois o que se vai fazer? Mesmo a compaixão às vezes é desastrada. Desde a parábola bíblica do Filho Pródigo, bem sabemos que o filho que fica não substitui o que parte. Cumpre, no entanto, aos pais esforçarem-se, embora em momento tão traumático e assustador de suas vidas, por dedicar atenção e respeito aos filhos que não partiram, amparando-se nestes e evitando que se afundem em tristes depressões que incluem o sentimento de culpa e a sensação da inutilidade de suas presenças na vida da família. Os pais precisam compreender que o silêncio em que se trancam os irmãos do ente desencarnado traduz uma tal perplexidade, um tal susto e um tal sofrimento que eles não logram traduzir em palavras. Afinal, nossos idiomas se mostram precários e miseráveis em momentos assim. Necessário que, em silêncio embora, os pais transmitam, por seus gestos e atitudes, aos filhos que ficaram: “Vocês não substituem o que perdemos. No entanto, foi a misericórdia divina que nos deu vocês – amparo, motivação e razão de nossas vidas. Venham! Abracemo-nos para fortalecer-nos, filhos queridos!” Só assim, os corações ulcerados dos filhos que não partiram sentir-se-ão banharem-se em águas de descanso, abrindo-se à compreensão das palavras do salmista David, no Salmo 23: “... ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, pois Tu estás comigo; Tua vara e teu cajado me consolam”. E as hostes divinas se rejubilarão, o plano espiritual se enfeitará de luzes se, em meio às suas agudas dores, os pais reunirem forças para orar dizendo: “Senhor! não temos dúvida da acolhida e do amparo que darás à nossa criança que se foi de nós. Resta-nos, então, suplicar por estes filhos que ficaram junto de nós e permanecem expostos aos perigos do mundo. Que o Mestre da Luz os abençoe sempre”. Sentindo, lá no fundo de si mesmos, um ambiente espiritual assim, os filhos que não partiram deitarão suas cabeças em seus travesseiros e – após dias de susto e dor – dormirão em paz.

PS: Esta postagem  ofereço  em  homenagem  ao coraçãozinho tão  sofrido  e  transpassado  pela dor  da perda do  único irmão, a minha filha MAUREN, que apesar de ser forte  como um carvalho e ao mesmo tempo frágil como uma flor, sofre muito e de uma maneira cruel, pois sempre foi tímida, calada, introvertida, no mundinho dela e apesar de estar dando todo o apoio que pode á mim e seu pai, vê-se nitidamente em seus olhos, a profunda e amargada dor que sente, sofre e cala silente no fundo de sua alma... Esta dor de irmão perdido dói mais que  coração  partido  e vai  lá no  fundo de nosso sentido  e quem não consegue falar e nem expressar a dor, sofre a angústia torturada de uma dor que não dá trégua, nos deixando amargurada.
FILHA  QUE  BOM  QUE  DEUS  ME AMA E  ME  DEU  VC  DE PRESENTE,  PARA  NOS  DAR  FORÇA, PORQUE SE NÃO FOSSE VC... NEM SEI COMO SERIA...
 

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