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segunda-feira, 22 de junho de 2015

A MORTE COMO CRENÇA LIMITANTE




Por que o homem teme tanto a morte, esse mistério que amedronta­ desde tempos imemoriais? Por que a experiência do “fim”, do “perder a vida” e do “expirar”, como definem os dicionários, provoca tanto medo e até mesmo pavor no ser humano?

Tantas são as representações da relação do homem com a morte quantas são as sociedades que existem ou existiram. Um estudo que buscasse desvendar todo esse saber já nasceria, irônicamente, morto. Isso porque teria, em alguma medida, as pretensões do pensamento positivista, antropocêntrico ao extremo e incapaz de atingir com rigor a própria proposta.

“A morte não é um acontecimento da vida. Não há uma vivência da morte. Se se compreende a eternidade não como a duração temporal infinita, mas como atemporalidade, então vive eternamente quem vive no presente, A nossa vida é infinita, tal como nosso campo visual é sem limites.“
LUDWIG WITTGENSTEIN (1889 – 1951) TRACTATUS LÓGICO-PHILOSOPHICUS, 6.4311.

Tal trabalho teria que contemplar todas as inúmeras áreas do pensamento humano que inváriavelmente pensaram na morte como objeto de seus estudos. Em outros termos, devemos nos lembrar que a morte aparece, por exemplo, na Antropologia como algo a ser representado, ritualizado; seria assim um estudo dos rituais de morte, o que não é pouca coisa e, em boa medida, implicaria toda a história e historiografia antropológicas.Todavia, perceber que a compreensão da morte constitui um enigma para a civilização não é mérito desses assuntos bastante atuais, como a Antropologia, a Sociologia ou a Psicanálise. Antes dessas especializações recentes, a cultura já buscara respostas sob outros pontos de vista.



FILOSOFIA: À PROCURA DA MORTE

Na raiz do pensamento dito ocidental e em toda história da filosofia, a morte sempre evocou as mais complexas discussões. Para os pré-socráticos, ela abrange a existência humana.Heráclito (540 a.C. – 470 a.C), por exemplo, parece inserir a morte em sua concepção cosmológica de oposições complementares. De tal forma que a morte é condição da vida. Assim, “cumpre admitir que a vida da alma individual, segundo Heráclito, termina na morte. A vida dos seres vivos na terra é efêmera, remetendo depressa à radical conclusão desta vida” . Chamado por alguns de “o obscuro”, Heráclito partiu, em seu pensamento, que atravessou os séculos apenas fragmentado, do ponto ao qual almejamos chegar: não se fala de vida se não pela morte, não se compreende a morte se não pela vida.

Platão (428 – 347 a.C), a seu turno, rompe com essa concepção da morte negando sua plenitude. É a origem do conceito de dissociação alma-corpo. Entre seus Diálogos encontra-se a famosa resposta de Sócrates, resoluto ante a iminência de sua morte, ao aborrecido Cebes: “É chegado o momento que eu exponha a vós, que sois meus juízes, as razões que me convencem de que um homem, que haja se dedicado ao longo de toda sua existência à filosofia, deve morrer tranqüilo e com a esperança de que usufruirá, ao deixar esta vida, infinitos bens” (Platão, Fédon, p. 124).

De maneira geral, cristãos, islâmicos e judeus acreditam que após a morte há a Ressurreição. Já os espíritas crêem na Reencarnação: o espírito retorna à vida material através de um novo corpo humano para continuar o processo de evolução. Algumas doutrinas acreditam que as pessoas podem renascer no corpo de algum animal ou vegetal. Em algumas religiões orientais, o conceito de Reencarnação ganha outro sentido: é a continuação de um processo de purificação. Nas diversas religiões, o homem encara a morte como uma passagem ou viagem de um mundo para outro.A sobrevivência do espírito humano é morte do corpo físico e a crença na vida e no julgamento após a morte já era encontrada na filosofia grega,em especial em Pitágoras Plotino e Platão.Já Jean Paul Sartre,filósofo francês, defendia que o indivíduo tem uma única existência.Para ele,não há vida nem antes do nascimento e nem depois da morte.

VAMOS ANALISAR ALGUMAS DOUTRINAS E SEUS CONCEITOS DE MORTE;

DOUTRINA NIILISTA

Sendo a matéria a única fonte do ser, a morte é considerada o fim de tudo.(?)

DOUTRINA PANTEÍSTA

O Espírito, ao encarnar, é extraído do todo universal. Individualiza-se em cada ser durante a vida e volta,á massa comum universal.

DOGMATISMO RELIGIOSO

A alma, independente da matéria, sobrevive e conserva a individualidade após a morte. Os que morreram em ‘pecado'(?) irão para o fogo eterno; os justos, para o céu, gozar as delícias do paraíso.(?)

BUDISMO

O Budismo prega o renascimento ou reencarnação. Após a morte, o espírito volta em outros corpos, subindo ou descendo na escala dos seres vivos (homens ou animais), de acordo com a sua própria conduta. O ciclo de mortes e renascimentos permanece até que o espírito liberte-se do carma (ações que deixam marcas e que estabelece uma lei de causas e efeitos). A depender do seu carma, a pessoa pode renascer em seis mundos distintos: reinos celestiais, reinos humanos, reinos animais, espíritos guerreiros, espíritos insaciáveis e reinos infernais(?). Estes determinam a Roda de Samsara, ou seja, o transmigrar incessante de um mundo a outro, ora feliz e angelical, ora sofrendo terríveis torturas, brigando e reclamando. Em qualquer um destes estágios as pessoas estão sujeitas a transformações.

HINDUÍSMO

A visão hindu de vida após a morte é centrada na ideia de reencarnação.Para os hinduístas, a alma se liga a este mundo por meio de pensamentos,palavras e atitudes.Quando o corpo morre, ocorre a transmigração. A alma passa para o corpo de outra pessoa ou para um animal, dependendo de nossas ações(?), pois toda a ação corresponde á uma reação-Lei do Carma.Enquanto não atingirmos a libertação final–chamada de MOKSHA-passamos continuamente por mortes e renascimentos.Esteciclo é denominado RODA DE SANSARA, do qual só saímos depois de atingir a iluminação.

ISLAMISMO

Para o Islamismo, Alá (Deus) criou o mundo e trará de volta a vida todos os mortos no último dia(?). As pessoas serão julgadas e uma nova vida começará depois da avaliação divina. Esta vida seria então uma preparação para outra existência, seja no céu ou no inferno(?).

ESPIRITISMO

Defende a continuação da vida após a morte num novo plano espiritual ou pela reencarnação em outro corpo. Aqueles que praticam o bem, evoluem mais rápidamente. Os que praticam o mal, recebem novas oportunidades de melhoria através das inúmeras encarnações. Crêem na eternidade da alma e na existência de Deus, mas não como criador de pessoas boas ou más. Deus criou os espíritos simples e ignorantes, sem discernimento do bem e do mal. Quem constrói o céu e o inferno é o própriohomem.Pela teoria, todos os seres humanos são espíritos reencarnados na Terra para evoluir. A morte seria apenas a passagem da alma do mundo físico para a sua verdadeira vida no mundo espiritual. E mesmo no paraíso, acredita-se que o espírito esteja em constante evolução para o seu aperfeiçoamento moral.As almas dos mortos ligam-se umas às outras, em famílias espirituais, guiadas pela sintonia entre elas. Consequentemente, os lugares onde vivem possuem níveis vibratórios diferentes, sendo uns mais infelizes e sofredores, e outros mais felizes e plenos.Muitas escolas espiritualistas – não todas – defendem a idéia da sobrevivência da individualidade humana, chamada espírito, ao processo da morte biológica, mantendo suas faculdades psicológicas intelectuais e morais.

CATOLICISMO

A vida depois da morte está inserida na crença de um Céu, de um Inferno e de um Purgatório(?). Dependendo de seus atos, a alma se dirige para cada um desses lugares.A alma é eterna e única. Não retorna em outros corpos e muito menos em animais. Crê na imortalidade e na ressurreição e não na reencarnação da alma. A Bíblia(?) ensina que morreremos só uma vez. E ao morrer, o homem católico é julgado pelos seus atos em vida. Se ele obtiver o perdão, alcançará o céu, onde a pessoa viverá em comunhão e participação com todos os outros seres humanos e, também, com Deus. Se for condenado, vai para o inferno(?). Algumas almas ganham uma chance para serem purificadas e vão para o purgatório(?), que não é um lugar, e sim uma experiência existencial da pessoa. Quem for para o céu ressuscitará para viver eternamente. Depois do Juízo Final(?), justos e pecadores serão separados para a eternidade. Deus julga(?) os atos de cada pessoa em vida de acordo com a palavra que revelou através de Seu Filho(?), com os ideais de amor, fraternidade, justiça, paz, solidariedade e verdade.(!!)

JUDAÍSMO

O judaísmo crê na sobrevivência da alma, mas não oferece um retrato claro da vida após a morte(?), e nem mesmo se existe de fato.O judaísmo é uma religião que permite múltiplas interpretações. Algumas correntes acreditam na reencarnação, outras na ressurreição dos mortos. Enquanto a reencarnação representa o retorno da alma para um novo corpo, a ressurreição é definida como o retorno da alma ao corpo original(?). Para os judeus, a lei permite à pessoa que vai morrer pôr a sua casa em ordem, abençoar a família, enviar mensagem aos que lhe parecem importantes e fazer as pazes com Deus(?). A confissão in extremis é considerada importante elemento na transição para o outro mundo(?).



ANALISANDO O FENÔMENO DA MORTE SOB O PONTO DE VISTA DA VIDA

Medo ancestral, recorrente, misterioso. Difícil quem não tem, mais difícil ainda quem já o superou. É um treinamento da mente, das emoções, dos conflitos internos, das crenças. Passar pela morte com a mesma naturalidade com que se passa pela vida deve ser a nossa meta. A morte é um evento tão natural quanto o nascimento, mas a encaramos ainda como tabu, sofrimento e falta de compreensão.Se olharmos a natureza e tudo à nossa volta, perceberemos que nada é estável, que tudo é impermanente e contínuo. Assim também somos nós: impermanentes e contínuos. Seguiremos de onde paramos. Por isso, é tão importante ressignificar os medos em torno desse momento para que se prossigamos da melhor maneira possível.

À medida que desconhecemos a nós mesmos, isto é, a nossa verdade essencial, alimentamos nossos medos internos e entre eles, o mito da morte. Portanto, nada mais “normal” quando definimos através de nossos dicionários o conceito de morte como sendo “fim”, porque tudo o que desconhecemos, tememos, e o que tememos por causar-­nos sofrimento á sua lembrança, esquecemos ou apagamos da memória. Nós, ocidentais civilizados, não estamos preparados para as mortes repentinas ou para os desaparecimentos prematuros. Esses fatos nos chocam e nos comovem. Sentimos a “perda” como algo abstrato que não compreendemos e, que muitas vezes, atribuímos à fatalidade ou ao azar.

Portanto, dependentes da cultura do medo da morte que nos acompanha desde os mais remotos tempos como sendo um trauma a bloquear a passagem do conhecimento, impedindo um melhor nível de compreensão, permanecemos órfãos e ignorantes de seu profundo significado, vindo buscar na religião e na filosofia, algo que explique a nossa angústia. E para compreendermos a MORTE, temos que compreender o significado da VIDA porque, ciclicamente, uma coisa está relacionada à outra. E compreender o significado da vida requer perceber o nosso verdadeiro papel inserido nela, porque apesar de sermos parecidos não somos iguais, pois representamos capítulos à parte na história da Humanidade. Quando começarmos a compreender o verdadeiro significado da vida como sendo o exercício do AMOR em todos os seus níveis humanamente possíveis, estaremos, naturalmente, processando e, acima de tudo, sentindo o que a vida representa para o espírito e que a evolução é a nossa meta.



Nós, ao contrário, evitamos conversas sobre a morte, o que reforça ainda mais os obstáculos que cada pessoa carrega. Naturalmente porque fomos educados de outra forma. Mas hoje é possível encarar a vida com mais franqueza, verdade, simplicidade, objetividade.Podemos a cada dia, a cada instante, experimentar um tipo de morte em nós. Sentir a morte de várias maneiras, a morte de uma mente, de uma emoção, de um apêgo, de uma crença. Deixar morrer opiniões, formas de ver a vida, entendimentos, conhecimentos, julgamentos, distorções, críticas, desequilíbrios. Morrer para a tristeza, a derrota, o pessimismo, o preconceito. Morrer e morrer para aquilo que não serve mais, deixar ir, viver aqui, acordar. Abrir os olhos, ver a vida em tudo, a beleza, o colorido, o pulsar inesgotável, a energia constante. Sentir que isso não cessa e, se não cessa, não há o que temer. É um sopro, um suspiro, uma brisa leve. Inspira, expira, aqui e agora. Assim, logo após a morte, será AGORA novamente. É a vida que segue, sempre segue, não há morte então. Se há vida sempre, a morte é a nossa grande ilusão.




REVENDO O NOSSO SISTEMA DE CRENÇAS:CONCLUSÃO

Comecemos com uma autopesquisa percorrendo o que tange o universo dos nossos pensamentos, observemos quais deles agem como mandatos sobre nós, jogando-­nos para fora de nossas reais capacidades e, portanto, de nosso prazer de existir com competência. Observemos o quanto que somos influenciados pelo que as pessoas pensam de nós, o quanto nos deixamos sermos julgados pelos outros, o quanto julgamos, o quanto não fazemos o que gostamos e o quanto não permitimos que outros sejam o que realmente são… CRENÇAS SÃO LENTES COLORIDAS QUE NORTEIAM O CAMINHO EXISTENCIAL DE CADA UM. Têm o poder de trazer saúde, alegria e vida. Se formos sérios na nossa autopesquisa e mudança de contexto, na certa poderemos mudar nossas vidas para muito melhor ­. O poder das crenças, aliado á um foco sério, somado à força da intenção de nossos desejos mais genuínos, tem alcance de ações e materializações ilimitadas.

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Nós da “Luz é Invencível” com mais este tema, estamos disponibilizando mais informações para serem avaliadas por cada um ,respeitando cada crença, cada conceito, pois sabemos que o assunto faz parte de todas as vidas humanas,independente da religião e filosofia que cada um tenha adotado para si.Levamos em consideração ao fazer este texto, que cada um de nós, experencia esse fato na vida de formas diferentes,portanto , a experiência conta bastante quando vamos formar alguma idéia/pensamento do assunto.O mais importante para nós é a questão da desmistificação do fato , aumentando o nível de consciência sobre a VIDA.

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“A tua vida não termina no túmulo. Com esta consciência, aprende para a eternidade, reunindo valores que jamais se consumam. Toda lição que liberta do mal se incorpora à alma, como força de vida indestrutível. Fosse a morte o fim da vida, sem sentido seria o universo. A criação se esmaeceria e o ser pensante estaria destituído de finalidade. Tudo, porém, conclama o ser à glória eterna, à continuidade do existir, ao progresso incessante. Estuda e trabalha sem cessar, com os olhos postos no teu futuro espiritual, vivendo alegre hoje, e pleno, sempre”. ~Joana de Ângelis

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Divulgação: A Luz é Invencível

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