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segunda-feira, 2 de março de 2015

OS MORTOS NOS FALAM


Os mortos nos falam

Padre François Brune

(Parte 6)


Damos continuidade ao estudo metódico e sequencial do livro Os mortos nos falam, de autoria do padre François Brune. Muito embora esta obra não seja, propriamente falando, um clássico espírita, trata-se de uma ótima contribuição que confirma um grande número de fenômenos relatados nos clássicos do Espiritismo que aqui estudamos. O estudo baseia-se na primeira edição em português desta obra, publicada pela Edicel em 1991.


Questões preliminares

A. Em seguida à morte corpórea, os Espíritos são levados a uma espécie de sono?

Nem sempre. A experiência do sono não é absolutamente universal. Entretanto, parece ser habitual. É o que nos informam os Espíritos já desencarnados. (Os mortos nos falam, pp. 118 e 119.)

B. Mesmo após a morte, estamos sujeitos à lei do progresso? A evolução espiritual continua no Além?

Sim. Mesmo após a nossa morte teremos muito a progredir, porque a evolução espiritual continua no Além. Mas nossa evolução e sua rapidez de realização, etapa por etapa, de mundo para mundo, dependerão da boa vontade de cada um. Brune cita passagens de Albert Pauchard e Marie-Louise Morton em que ambos falam do mecanismo interno dessa evolução. (Obra citada, pp. 122 e 123.)

C. No plano espiritual é grande a diversidade evolutiva entre os indivíduos?

Sim. As diferenças existentes entre os indivíduos parecem ser enormes. Enquanto alguns dispararão “como balas de canhão”, retomando a expressão do Cura d’ Ars, a quem foi perguntado como se deveria chegar a Deus, outros arrastar-se-ão como caracóis. (Obra citada, pp. 125 e 126.)

Texto para leitura

66. Seria esse túnel uma passagem obrigatória entre os dois mundos? A qual espaço corresponderia? O padre Brune lembra, ao colocar essas questões, que alguns moribundos disseram ter tido a impressão de passar por ele em grande velocidade e, muitas vezes, em movimento ascendente. Não se deve, porém, tomar essas descrições ao pé da letra, porque quando alguém diz “entrar” nesse túnel, espaço e tempo são diferentes. (P. 115)

67. Padre Brune, respondendo à indagação formulada, diz que existe pelo menos uma outra forma de acesso aos mundos superiores, ou de travessia desse túnel: através do sono. É o que têm dito muitos Espíritos. (PP. 115 a 118)

68. Há, contudo, uma outra espécie de sono: aquele que se costuma chamar, comumente, de o sono da morte. Dizem então: “dormir o último sono”. Mas os mortos nem sempre dormem. A experiência do sono não é absolutamente universal. Entretanto, parece ser habitual. É o que nos informam os Espíritos já desencarnados. (PP. 118 e 119)

69. Brune relata a propósito alguns fatos em que os Espíritos se reportam à experiência do sono reparador, definido por Pierre Monnier como uma espécie de gestação “que precede o novo nascimento da alma”. (PP. 119 e 120)

70. Mesmo após a nossa morte teremos muito a progredir, porque a evolução espiritual continua no Além. A grande lei que resulta de todos os testemunhos vindos do Além é a do respeito absoluto à nossa liberdade. Nossa evolução e sua rapidez de realização, etapa por etapa, de mundo para mundo, dependerão da boa vontade de cada um. (PP. 122 e 123)

71. Brune cita passagens de Albert Pauchard e Marie-Louise Morton em que ambos falam do mecanismo interno dessa evolução. Só trocamos de plano, de nível ou de esfera – dizem eles – quando começamos a ficar cansados do plano em que nos encontramos. Então, nosso corpo passa para um novo estado, em harmonia com o novo mundo que alcançamos. (PP. 123 e 124)

72. “Ajudar alguém é desenvolver a si mesmo.” Essa frase, captada pela Sra. Morton, mostra que podemos ajudar na evolução dos outros, mas não podemos forçá-los. Pode-se ajudá-los, e esse é o papel do Cristo e dos santos, mas o processo envolve a nossa liberdade. (P. 124)

73. Dizendo isto, padre Brune diz que nós, seres humanos, sempre temos a tentação de acreditar em varinhas de condão. Os teólogos cristãos sempre foram tentados a interpretar desta forma os sacramentos. É o que chamavam de “objetividade” dos sacramentos, em oposição às disposições interiores do sujeito, ditas “subjetivas”. “Sempre combati esta concepção dos sacramentos”, assevera Brune. “E tudo que descobri, ao ler estes testemunhos, não me levou – de forma alguma – a rever os princípios de minha teologia.” (PP. 124 e 125)

74. Isto explica o valor e o papel do chamamento à perfeição, existente além das exigências da boa moral comum. Se ficarmos apegados apenas aos interesses materiais, continuaremos longe dessa perfeição, como, aliás, dizia Santa Catarina de Siena: “Deus faz-nos falta, precisamos d’Ele, somos privados d’Ele, na medida em que ficamos presos a nós mesmos”. (P. 125)

75. Padre Brune comenta: Não há mal nenhum em assistir a um bom jogo de futebol ou em ir a um concerto. Mas, enquanto preferirmos assistir ao jogo ou ir ao concerto a mergulhar na contemplação de Deus, não poderemos sonhar em ser aspirados em Deus. Ou, em outras palavras: enquanto você preferir fazer uma boa refeição, deixando seu próximo na miséria, não estará totalmente amadurecido para dividir plenamente a vida de Deus. (P. 125)

76. Roland de Jouvenel retrata bem essa verdade em suas mensagens, mostrando que no Além cada um atingirá o nível correspondente ao grau de espiritualidade que tiver pessoalmente alcançado. Veremos então que as diferenças existentes entre os indivíduos parecem ser enormes. Enquanto alguns dispararão “como balas de canhão”, retomando a expressão do Cura d’ Ars, a quem foi perguntado como se deveria chegar a Deus, outros arrastar-se-ão como caracóis. (PP. 125 e 126)

77. Capítulo V - Os primeiros passos no Além – Ao iniciar este capítulo, padre Brune adverte que no material fornecido exclusivamente pelos mortos, transmitido por via mediúnica, não encontraremos mais a formidável unanimidade que até este ponto se observara nos depoimentos até aqui transcritos. É que a diversidade evolutiva existente no meio espiritual é enorme. (P. 127)



78. Georges Morranier, por exemplo, que se matou aos 29 anos de idade, após uma crise depressiva, revelou encontrar-se atualmente na quinta esfera, de um total de sete que circundam a Terra, excluindo a Crosta. Para um ex-suicida, a revelação de Georges é, no mínimo, estranha. (P. 128) (Continua na próxima semana.)

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