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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

DEVOLVER NOSSAS “JÓIAS PRECIOSAS” É MUITO DIFÍCIL.




Existe uma palavra-chave para enfrentarmos com serenidade e equilíbrio o desencarne de um "Ente Querido": “Submissão”. Ela exprime a disposição de aceitar o inevitável, considerando que, acima dos desejos humanos, prevalece a vontade soberana de Deus, que nos oferece a experiência da morte em favor do aprimoramento de nossa vida.
A esse propósito, oportuno recordar antiga história oriental sobre um Rabi, pregador religioso judeu que vivia muito feliz com sua virtuosa esposa e dois filhos admiráveis, rapazes inteligentes e ativos, amorosos e disciplinados.
Por força de suas atividades, certa vez o Rabi ausentou-se por vários dias, em longa viagem. Nesse ínterim, um grave acidente provocou o desencarne dos dois moços.
Podemos imaginar a dor daquela Mãe! Não obstante, era uma mulher forte.
Apoiada na fé e na inabalável confiança em Deus suportou valorosamente o impacto. Sua preocupação maior era o marido. Como transmitir-lhe a terrível notícia? Temia que uma comoção forte tivesse funestas consequências, porquanto ele era portador de perigosa insuficiência cardíaca. Orou muito, implorando a Deus uma inspiração. O Senhor não a deixou sem resposta...
Passados alguns dias, o Rabi retornou ao lar. Chegou à tarde, cansado após longa viagem, mas muito feliz. Abraçou carinhosamente a esposa e foi logo perguntando pelos filhos...
- Não se preocupe, meu querido. Eles virão depois. Vá banhar-se, enquanto preparo o lanche.
Pouco depois, sentados à mesa, permutavam comentários do cotidiano, naquele doce enlevo de cônjuges amorosos, após breve separação.
- E os meninos? Estão demorando?
- Deixe os filhos... Quero que você me ajude a resolver grave problema, deixe os filhos...
- O que aconteceu? Notei que você está muito abatida! Fale! Resolveremos juntos, com a ajuda de Deus!
- Quando você viajou, um amigo nosso procurou-me e confiou à minha guarda duas Jóias de incalculável valor. São extraordinariamente preciosas! Nunca vi nada igual. O problema é esse: Ele vem buscá-las e não estou com disposição para efetuar a devolução.
- Que é isso, mulher! Estou estranhando seu comportamento! Você nunca cultivou vaidades!
- É que jamais vira Jóias assim. São Divinas, maravilhosas!
- Mas não lhe pertencem...
- Não consigo aceitar a perspectiva de perdê-las!
- Ninguém perde o que não possui. Retê-las equivaleria a roubo!
- Ajude-me!
- Claro que o farei. Iremos juntos devolvê-las, hoje mesmo!
- Pois bem, meu querido, seja feita sua vontade. O tesouro será devolvido. Na verdade isso já foi feito. As Jóias eram nossos Filhos.
Deus, que nos concedeu por empréstimo, à nossa guarda, veio buscá-los!
O Rabi compreendeu a mensagem e, embora experimentando a angústia que aquela separação lhe impunha, superou reações mais fortes, passíveis de prejudicá-lo.
Marido e mulher abraçaram-se emocionados, misturando lágrimas que se derramavam por suas faces mansamente, sem burburinhos de revolta ou desespero, e pronunciaram, em uníssono, as santas palavras de Jó:
"Deus deu, Deus tirou. Bendito seja seu Santo Nome".

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