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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

A VIDA DE QUEM FICA:



A morte desorganiza, deprime. Mas o luto tem começo, meio e fim. Nesse processo, a dor da perda se transforma em saudade, e a vida continua, com outro sentido.
Por Rosane Queiroz

Uma mulher vai até Buda com o filho morto nos braços e suplica que o faça reviver. Buda diz a ela que vá a uma casa e consiga alguns grãos de mostarda. Mas, para trazer de volta a vida do menino, esses grãos devem ser de uma casa onde nunca morreu ninguém. A mãe vai de casa em casa, mas não encontra nenhuma livre da perda.

A parábola budista explora a lição mais óbvia e mais difícil da vida. A dificuldade de encarar o fim como parte da existência é o que faz do luto uma experiên-cia tão assustadora. "A morte é sempre vista como um acidente de percurso ou um castigo divino", diz a psicóloga Clarice Pierre, especializada no atendimento de doentes terminais. Desde a infância o ser humano não é treinado para perder, mas para ter, acumular. "Os pais protegem os filhos das frustrações, e perder é essencial para entender que nada é permanente. E me refiro a perder desde jogos, até objetos e pessoas", diz Clarice.

Se o desapego budista é uma utopia, a preparação para encarar a morte de forma menos traumática é possível, e começa mesmo na infância. "Criança pode ir a velório e receber respostas honestas sobre a morte, em vez de explicações fantasiosas, como a de que a pessoa viajou ou virou uma estrela." No dia a dia, é preciso tratar as perdas como parte da vida. "Ensinar sobre a finitude ajuda a objetivar a existência, reduzindo a angústia existencial."

Os sintomas do luto são divididos em fases: choque, negação, raiva, depressão e aceitação. Nesse processo, a pessoa experimenta desinteresse pela vida, culpa, baixa auto-estima, angústia, revolta. A duração e a intensidade desses sentimentos vão depender do histórico de perdas da pessoa, e também do grau de relação com quem morreu (a perda mais dura seria a de um filho, pois quebra um ciclo "ilusoriamente previsível") e do tipo de morte. "Nas mortes traumáticas, acidente, suicídio, assassinato, pode haver uma fase de negação mais prolongada, a culpa e a revolta podem aparecer com mais intensidade", diz a psicóloga Maria Helena Bromberg, do 4 Estações, um centro de pesquisas sobre luto e atendimento a enlutados, em São Paulo.

"A princípio eu ia fazer uma loucura, queria matar ele, a família, todo mundo", diz o empresário Loudeber Castanho, 51, que perdeu a filha de 23 anos, assassinada a tiros supostamente pelo ex-namorado. O que o reteve e confortou foi "um lado espiritual" que a filha deixou. "Antes de morrer ela estava lendo 'Somos todos Inocentes', da Zíbia Gasparetto. Às vezes falava: 'Pai, dá uma lidinha no que eu sublinhei. E eu, na correria, não dava atenção. Depois, transtornado, comecei a rastrear as frases e a decifrar o que ela queria me dizer. Descobri que o espírito não morre. Foi a única coisa que me acalmou", diz.
Para superar o luto, é importante não sublimar a dor. "É para doer mesmo", diz Maria Helena Bromberg. Faz bem à família se reunir para chorar, conversar sobre o assunto, olhar retratos. Os rituais também ajudam, porque a recuperação é centrada na aceitação. "O velório permite que as pessoas se despeçam e que o enlutado seja reconhecido como tal", diz ela.

O período luto-casa dura cerca de dois meses. Aí cessam as visitas e a dor costuma piorar. É quando costuma ocorrer uma tentativa de resgatar o cotidiano anterior à perda, o que é impossível. A psicóloga Clarice Pierre diz ser importante, nesse estágio, se desfazer de objetos e roupas de quem morreu, e mudar hábitos. Muita gente muda de casa, de profissão, se engaja em uma causa.

Seis meses depois de perder a filha de 18 anos num acidente de carro, o casal Eduardo Carlos Tavares, médico, e Glaucia Rezende Tavares, psicóloga, se engajou na causa de amparo a enlutados. Criaram o grupo API -Apoio a Perdas Irreparáveis, que em um ano de existência reúne 37 casais, a maioria que perdeu filhos. Os encontros acontecem na casa de um dos integrantes, e são um espaço de expressão do luto. "Em muitas famílias, é tabu tocar no assunto. Mas à medida que falamos vamos nos transformando e ganhando força para retomar a vida. Depois de uma perda, ou a gente fica amarga, ou mais sensível. Nosso objetivo é adoçar a vida sem esquecer nem hipervalorizar a pessoa que se foi", diz Glaucia. Em São Paulo, o Grupo Fraterno, criado por três mães que há quatro anos perderam os filhos no mesmo acidente, se reúne semanalmente para estudar a doutrina espírita, trocar experiências e promover trabalhos sociais. "No grupo, quem está melhor, puxa o outro", diz Olga Braga de Araújo, 49, uma das mães. Os encontros chegam a reunir 80 pessoas.

De maneira geral, leva-se de um a dois anos para "elaborar a perda", no jargão dos especialistas. Nesse período vão ocorrer pela primeira vez as datas importantes: aniversário, Natal... Se os sintomas de luto persistem, é provável que a pessoa não esteja vivendo as etapas necessárias à superação. Freud, no texto "Luto e Melancolia", compara essas duas condições que encerram "o mesmo estado de espírito penoso, a mesma perda de interesse pelo mundo externo". Só que, no luto, diz Freud, "é o mundo que se torna pobre e vazio; na melancolia, é o próprio ego". Nos dois casos, existe uma oposição à realidade. Mas, no luto, "normalmente prevalece o respeito pela realidade", ou seja: uma hora termina e a alegria se torna, ao menos, possível.

O processo considerado "anormal" pelos especialistas tem duas reações opostas: ou a pessoa não sai do luto (é a mãe que arruma o quarto do filho, cultuando o morto todos os dias) ou nem sequer entra nele (a pessoa fica indiferente, não chora, age como se não tivesse acontecido). Nesse luto "adiado", a dor fica guardada em algum lugar "e um dia vem à tona", diz Maria Helena Bromberg.

Morte e transformação
A perda traz mudança de valores. "As pessoas passam a ter menos medo de errar, entendem que têm limites e vivem melhor o presente", diz a psicóloga Clarice Pierre.
Foi o que aconteceu com a decoradora Vitoria Herzberg, que há dez anos perdeu o filho Daniel, 18, de câncer. Ela diz ter passado por todas as fases do luto. "Ou você se envolve na vida, ou os vivos acabam desistindo de você."
Depois de três meses, Vitória retomou seu trabalho com decoração, mas, em meio a uma polêmica com um cliente sobre o tom de amarelo que forraria um sofá, viu que aquilo não fazia mais sentido. Largou a profissão. Há nove anos se dedica a orientar pacientes com câncer e seus parentes. Vitória diz que até hoje não se conforma com a ausência do filho, mas aprendeu a conviver com ela. "Antes eu perguntava: Por quê meu filho?. Hoje eu pergunto: Quem sou eu para não ser comigo?"

AS REPERCUSSÕES DO LUTO NO IDOSO:


O luto pode representar um processo de grande impacto no idoso, pois este traz consigo perdas pessoais e sociais decorrentes de a velhice ser estigmatizada como fase da invalidez ou da condescendência. Por isso, devemos considerar que trabalhar emocionalmente as perdas decorrentes de alterações físicas e isolamento social é complicado, e pior se associadas à morte do cônjuge e, principalmente, de um filho.

Os ritos de morte e de luto, importantes para o psiquismo, vêm sendo desconsiderados ou realizados rapidamente; porém, " para que a morte de um ente querido não assuma formas obsessivas no inconsciente é necessário ritualizar essa passagem" (Brasil Escola, s/d). A desconsideração formal ocorre tanto por parte da sociedade como da própria família, o que requer uma mudança de atitude do meio acadêmico, para que se traga à discussão o tema e então se possa efetivamente cuidar do enlutado, principalmente o idoso, desconsiderado em suas múltiplas necessidades, principalmente as emocionais.
Durante o processo de luto é importante avaliar que tipo de ajuda se faz necessária. É importante permitir a ritualidade do processo, que pode ser diferente entre culturas e pessoas, não sendo possível estipular um padrão de comportamento. A ajuda pode surgir de diferentes áreas, como a profissional, a leiga e, principalmente, a religiosa.

O idoso deve ser acompanhado e deve-lhe ser permitido tempo para reorganizar-se emocionalmente. Na fase inicial do luto ele pode ter necessidade de ajuda para atividades básicas da vida diária, pois " a máscara usada no funeral não pode mais ser mantida e é necessário que algum parente ou amigo próximo assuma muitos dos papéis e responsabilidades do enlutado, deixando-o livre para vivenciar o luto" (Parkes, 1998, p. 205)

A expressão emocional deve ser permitida abertamente, não se considerando a necessidade de medicalizar o fato. O enlutado deve ser livre para expressar seus sentimentos de raiva e angústia, que comumente ocorrerão para com aqueles que o ajudam, pois são os que mais estarão reafirmando a perda.
Importante considerar que " o enlutado tem uma tarefa dolorosa e difícil para realizar, que não pode ser evitada nem apressada. A verdadeira ajuda consiste em reconhecer o fato e permitir que ele se organize para que fique disponível para elaborar a perda" (Parkes, 1998, p. 205).

No idoso em processo de luto podem ocorrer alguns distúrbios, como os do sono e da alimentação, ou ainda manifestações somáticas, sendo comum falta de ar, aperto no peito, falta de energia, insônia, passividade, alucinações e ansiedade.
As alterações do sono podem estar relacionadas à somatização ou dever-se ao fato de que " durante o sono ou em períodos de atenção relaxada, as lembranças dolorosas tendem a invadir nossa mente e nos pegamos revivendo o trauma mais uma vez" (Parkes, 1998, p. 59).

João Batista Alves de OliveiraI; Ruth Gelehrter da Costa LopesII
IMédico. Mestre em Gerontologia
IIDoutora em Saúde Pública. Vice-Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Gerontologia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP

sábado, 16 de novembro de 2013

AFINAL, O QUE É PSICOGRAFIA?


Afinal, o que é psicografia?

A psicografia é um dos meios de comunicação utilizados pela espiritualidade para poder expressar-se com os vivos da Terra, pela escrita, através de uma pessoa que seja médium escrevente ou psicógrafa.

Conheça as modalidades:

Psicografia intuitiva: na mediunidade intuitiva, como o próprio nome diz, o “Espírito não atua diretamente sobre a mão do médium para escrever, mas sobre a alma. A alma, sob esse impulso, dirige a mão e a mão dirige o lápis”. O pensamento do Espírito é passado ao médium, cujo crivo depende exclusivamente dele - o médium (considerado como aparelho) -, em aceitar ou não o que lhe é transmitido. Muitas vezes o medianeiro emprega recursos pessoais, no que diz respeito ao seu conhecimento do vernáculo, para montar, adequar e expressar, no papel, o sentimento e os esclarecimentos prestados pela entidade. O Espírito sugere e o médium executa.

As palavras até poderão ser outras, mas o conteúdo da mensagem deve ser aquele pretendido pelo Espírito comunicante.

Psicografia semimecânica: aqui, o médium tem quase totalmente a consciência do que escreve. O controle do braço, através do sistema nervoso, não é completo por parte do Espírito comunicante, mas é parcialmente por ele coordenado.

Psicografia mecânica: já, nesta situação, o controle do Espírito comunicante é total. Ele assume os movimentos do braço e da mão, movimentando-os de acordo com seu interesse e necessidade, imprimindo a velocidade que pretender, sem que haja qualquer controle ou interferência do médium, que participa na condição de aparelho receptor. O Espírito não lhe fala nem lhe sugere, apenas escreve. A independência do médium em relação a essa modalidade de psicografia é tão forte, que ele, em havendo permissão para isso, poderá até entabular conversação com uma terceira pessoa, alheio ao que se passa consigo na psicografia, pois os movimentos para a escrita pertencem ao Espírito, que tudo controla.

Este é o caso em que a escrita e a assinatura obedecem naturalmente os traços de origem de quem transmite a mensagem.

A psicografia é um recurso prático e reconhecidamente o mais comum, inclusive da parte dos Espíritos, que dela se utilizam com a frequência e precisão necessárias.

Francisco Cândido Xavier (1910-2002), mineiro da cidade de Pedro Leopoldo, foi um dos mais consagrados médiuns brasileiros, e o que mais se dedicou aos sagrados momentos em que recebeu, do outro lado da vida, comunicações das mais diversas.

O mentor espiritual de Chico, que num desses felizes momentos, lhe disse que a ligação de ambos se perdia no tempo, assim se expressou: “Tenho seguido sempre os teus passos e só hoje me vês, na tua existência de agora, mas os nossos Espíritos se encontram unidos pelos laços mais santos da vida e o sentimento afetivo que me impele para o teu coração tem suas raízes na noite profunda dos séculos...” [1], permanecendo junto a esse dedicado médium por um longo período, praticamente 75 anos dos 92 que esteve conosco.

Identificado pelo nome de Emmanuel, esse Benfeitor chegou a orientar seu tutelado quando este participava de reuniões de materialização, para que permanecesse preparado, sim, mas para trabalhos relacionados à psicografia.

E foi o que de fato ocorreu com Chico Xavier. Dedicou-se integralmente a esse belo trabalho de comunicação com o Mundo Invisível, circulando entre cá e lá em certos momentos especiais, como ele mesmo dizia.

Ao todo, foram pouco mais de 400 obras editadas, estando o médium ainda presente. E embora muitos estranhem os lançamentos feitos após a sua partida, em 30 de junho de 2002, essa situação justifica-se, uma vez que Chico recebia dos Espíritos informações que, no devido tempo, poderiam ser tornadas públicas, no todo ou ao menos parte delas, como temos visto em inúmeras obras novas.

A psicografia teve seu papel respeitável nos tribunais do país quando contribuiu para afastar a névoa impeditiva ao esclarecimento de tristes casos de homicídios, trazendo à luz informações desconhecidas, mas precisas. Somente pela mão de Chico Xavier, são atribuídos 7 dos 9 casos de mensagens registradas, que auxiliaram os jurados, os juízes e o próprio Ministério Público, encarregado de proceder à acusação, a reconhecer o farto, respeitável e convincente material apresentado para cada caso específico.

Mas foi na generosidade e no amparo aos corações debilitados pela ausência de entes queridos arrebatados pela morte que Chico Xavier abriu seu coração caridoso e dedicou horas e horas de cada dia em benefício do próximo, serenando a dor e o sofrimento deixados no ambiente familiar.

Foram editados mais de 100 livros com mensagens mediúnicas contendo apenas cartas aos familiares que clamavam por contato com o ente amado que os deixou por força maior. Além desse montante citado, incontável número de psicografias – algumas longas e outras resumidas, bilhetes até – foi entregue diretamente aos interessados presentes às reuniões, sem que fossem somadas aos trabalhos editados, na verdade, milhares delas, não anotadas para edição futura. Em suas viagens, onde o médium se fazia presente, as psicografias ocorriam em abundância.

Muito embora Chico Xavier tenha deixado muito claro que “o telefone somente toca de lá para cá”, há um grave equívoco da parte de leigos e até de algumas Casas Espíritas, no que diz respeito ao prazo ou ao período em que se pode pleitear uma mensagem desse outro lado da vida.

Na verdade não há, por assim dizer, prazo ao qual esteja sujeito o tempo favorável a esse contato. Não há vencimento nem prescrição nesse sentido.

Um Espírito, ao deixar o ambiente terreno através do processo da morte, somente alcançará em breve tempo o confortável sentimento de paz se estiver equilibrado e em harmonia com as alterações que ocorrem nesse difícil momento da vida de cada um.

Mas, independente das condições individuais, há comprovações deixadas por Chico Xavier mostrando que as mensagens podem ocorrer em qualquer época, tempo ou momento da vida.

Não somos nós que delimitamos o espaço de tempo aceitável para esta conquista, não nos esquecendo, porém, do lembrete de Chico Xavier: “o telefone somente toca de lá para cá”.



[1] Emmanuel, de Emmanuel, por Chico Xavier – FEB.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

AMIGOS CURTAM NOSSA FANPAGE NO FACEBOOK!!!!



AMIGOS, ESTAMOS NO FACEBOOK TAMBÉM, ESTÃO TODOS  CONVIDADOS Á CURTIR NOSSA FANPAGE NO FACEBOOK, LÁ O NOME É:


MICHEL AMIGO BEIJA FLOR

DESDE JÁ AGRADEÇO O CARINHO E A ATENÇÃO DE TODOS OS QUE ACOMPANHAM O BLOG E QUE NOS DÃO, ALÉM DO PRAZER DE RECEBER A VISITINHA, DOAM  SEU CARINHO E ATENÇÃO, BEIJOS DE LUZ

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

UM NOVO DOMINGO DE SOL:



No vídeo acima veja o clipe "Um Novo Domingo de Sol", divulgado nas redes sociais, marcando um mês da tragédia de Santa Maria (RS). Sem cair na pieguice, músicos gaúchos homenagearam os 240 jovens mortos no incêndio da boate Kiss. Um acontecimento assim não tem nada que console ou explique os seus motivos, mas os artistas conseguiram passar uma mensagem de esperança e alento. Quase no final da música, com a voz grave que o deixou famoso, MC Jean Paul lê um texto muito bonito. Suas palavras não são apenas para quem perdeu um ente querido no desastre, mas valem para todos nós: "Nunca deixe para amanhã o que você pode fazer hoje, porque amanhã pode ser tarde demais. Se você ama alguém, diga para ela agora".


Como disse a colunista gaúcha Lis Aline Silveira, "uma vida pode acabar de uma hora para outra. Lembre-se disso antes de inventar motivo para brigar ou para não fazer as pazes com quem você gosta!".


Abaixo a íntegra da mensagem divulgada pelos músicos e cantores.



CARTA ABERTA


Sim, resolvemos tocar em um assunto delicado, uma ferida aberta que talvez em alguns corações nunca cicatrize. Mas nós precisávamos fazer alguma coisa, e fizemos com o que cada um de nós sabia fazer.


Esta mensagem tem apenas um objetivo: olhar para frente e procurar um novo domingo de sol. Sabemos dos riscos de má interpretação. Sabemos que para muitos esse domingo pode parecer impossível. Sabemos que tantas outras milhares de pessoas fizeram algo para ajudar. E esse foi o nosso jeito.


Famílias e amigos: esta mensagem é para vocês. Cantando, escrevendo, tocando, espalhando esta mensagem a gente quer levar à vocês um pouco de conforto. Nos primeiros dias, só falávamos disso. Hoje, 30 dias depois, a vida da grande maioria da população já voltou ao normal mas, a de vocês não. E talvez demore um tempo incalculável para o sol brilhar em um domingo.


A música tem os direitos livres. Sinta-se à vontade para usá-la para o bem, para confortar, para levar uma mensagem de carinho e esperança à quem quer que seja. Essa ação não é nossa, ela é das pessoas do bem.


Por fim, reitero em nome de todos que participaram deste projeto: nossa intenção é única e exclusivamente espalhar o bem, através de pessoas do bem. Todos que aqui estão doaram o seu dom profissional para que pudéssemos tornar essa mensagem uma realidade.


Um novo domingo de sol.

LIVRO FAZ VIAGEM AO FUNDO DA DOR:


A americana Joan Didion faz uma anatomia do sofrimento ao lembrar a morte do marido

Quintana, John Dunne e Joan Didion, em 1976: imagens que desbotam aos poucos

A escritora e jornalista americana Joan Didion estava aprontando o jantar quando seu marido, o também escritor John Gregory Dunne, tombou no chão do apartamento do casal em Nova York. Vítima de um ataque cardíaco, ele morreria na mesma noite – 30 de dezembro de 2003 –, ao dar entrada no hospital. Por essa época, a filha de Joan e Dunne, Quintana, estava internada em outro hospital, em coma após um choque séptico causado por uma pneumonia aguda. Cerca de dez meses depois da morte do marido, Joan Didion resolveu escrever sobre seu próprio drama familiar. Foi uma empreitada de risco: um tema tão pessoal e doloroso muitas vezes se torna um convite à autocomplacência e à franca pieguice. A autora, porém, encontrou o tom certo em O Ano do Pensamento Mágico (tradução de Paulo Andrade Lemos; Nova Fronteira; 222 páginas; 19,90 reais). E compôs uma admirável anatomia do luto.


O Ano do Pensamento Mágico guarda afinidades com Elegia para Iris, do crítico britânico John Bayley. São dois livros de devastadora sinceridade protagonizados por casais de escritores. Bayley, porém, não tratou da morte, mas sim da decadência física e mental da mulher, a escritora Iris Murdoch (ela morreria em 1999, pouco depois da publicação do livro). Com mais de 500.000 exemplares vendidos nos Estados Unidos, O Ano do Pensamento Mágico tornou-se o maior sucesso de público de Joan, que no entanto já era uma escritora consagrada pela crítica – o seu Play It as It Lays foi escolhido como um dos 100 melhores romances em língua inglesa dos últimos oitenta anos pela revista Time. "Eu tinha a sensação de que John estava comigo enquanto eu escrevia o livro", disse a autora a VEJA. "E não estou falando de nenhuma bobagem mística." É a esse tipo de sensação que o título faz referência: Joan, como muitos que enfrentam uma grande perda, viu-se assaltada por todo tipo de pensamento mágico. Mas forçou-se a uma disciplina racional, buscando informações sobre luto e morte em todo tipo de fonte – do clássico ensaio de Freud sobre luto e melancolia a um manual de etiqueta com recomendações para enlutados dos anos 20.


Surpreendentemente, ela afirma que a literatura sobre o luto é escassa. Um relato tão detalhado como o seu sobre a perda do marido – e sobre o calvário hospitalar da filha, que morreu pouco depois de Joan ter concluído a redação do livro – de fato não é um gênero comum. Mas a dor da morte é um dos temas mais constantes da literatura. Entre os poucos versos da poetisa Safo (século VI a.C.) que chegaram até os dias de hoje, há um fragmento curto mas pungente que fala de uma jovem que morre pouco antes de seu casamento, e das amigas que, conforme o costume grego, cortaram o cabelo em sinal de luto. No século XIII, Dante tratou, em prosa e verso, da morte de sua jovem amada Beatriz em Vida Nova. Ele encerrava essa obra breve prometendo que, em livros futuros, diria de Beatriz "o que nunca foi dito de mulher alguma". Cumpriu o prometido: na Divina Comédia, Beatriz aparece no Paraíso, cercada de luz. No extremo oposto dessa idealização arrebatada, teríamos a poesia de Augusto dos Anjos, brasileiro da virada do século XIX para o XX. Carregados de um bizarro léxico científico, seus poemas centram-se na realidade física da morte. Há um soneto sobre a decomposição do pai do poeta, e outro em que seu filho que nasceu morto aos sete meses de gestação é descrito como um "fruto rubro de carne agonizante". Não é leitura aconselhável para quem acabou de deixar um ente querido no cemitério.

Joan buscou alguns clássicos modernos em que se fala da dor. Ela não se lembrou das páginas de Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust, em que o protagonista sofre com a morte de uma avó querida, mas elogia a sensibilidade de um episódio de A Montanha Mágica, de Thomas Mann, em que o personagem perde a mulher. Sobretudo, ela aprecia Blues Fúnebres (poema que se popularizou ao ser recitado por um personagem do filme Quatro Casamentos e um Funeral), de W.H. Auden, com sua tristeza sem concessões: o sol pode se apagar e o mar secar, diz o poeta, porque nada mais poderá dar certo depois da morte do amado.



Menos pessimista, o herói de Sábado, do inglês Ian McEwan, oferece uma certa perspectiva de continuidade. O protagonista visita a mãe senil em um asilo e contempla a idéia de que em breve terá de fazer os arranjos para enterrá-la, porque é assim, afinal, que a vida segue. A passagem, por si mesma tocante, torna-se mais significativa quando se sabe que a mãe do próprio McEwan, morta alguns anos antes da publicação de Sábado, sofreu da mesma doença neurológica que afeta a personagem. É talvez uma superação do luto por meio da ficção. Será ilusório, porém, imaginar que a literatura traz qualquer consolo efetivo. A própria Joan não oferece nada do gênero em seu livro. Nas páginas finais, ela lamenta que a imagem de Dunne esteja se tornando aos poucos menos clara, mais embotada – ela lamenta, em suma, a superação da dor. Em meio às fórmulas banais de felicidade que se vendem nas prateleiras de auto-ajuda (inclusive nas duvidosas seções de "filosofia oriental"), O Ano do Pensamento Mágico é uma defesa da necessidade do sofrimento e do direito a ele.


A partir da revista Veja. Leia no original

terça-feira, 12 de novembro de 2013

A VIDA APÓS A MORTE DO CORPO:


– Em que se transforma a alma no instante da morte?

“Volta a ser Espírito, ou seja, retorna ao mundo dos Espíritos, que ela havia deixado temporariamente.” (Questão 149 de “O Livro dos Espíritos”- Allan Kardec.)

Incontestavelmente, a vida definitiva é a espiritual. Nossa existência corporal, na Terra, não passa de uma etapa de aprendizado. A vida na matéria, com seus ensinamentos e experiências, muito contribui para o progresso e evolução do Espírito, que ascende sempre a dias melhores e posição mais segura, ainda que, diante de tantas lutas e desafios, não tenha encontrado tais conquistas. É, sem sombra de dúvida, projeto para o porvir, que chegará para todos nós.

O que hoje já é convicção absoluta é que a morte, como o fim de tudo, realmente não existe. Somos seres eternos, e São Francisco, em sua imensa sabedoria, há muito tempo já definiu “que é morrendo que se vive para a vida eterna”: a vida espiritual, é claro.

No plano espiritual, para onde vamos num determinado instante, continuamos sendo as mesmas pessoas. A única diferença que se verifica é a ausência da matéria física que constituía o nosso corpo, pois que ela, certamente, tinha a sua utilidade apenas aqui no nosso planeta. Por lá continuamos com os nossos sonhos de paz e felicidade, trabalhando e nos esforçando para consegui-los. Quando possível, reunimo-nos com os familiares que partiram primeiro para a pátria dos desencarnados, encontramos amigos, amizades de outras encarnações, enfim, temos uma família espiritual tão querida quanto a família física.

Com o esquecimento momentâneo da vida espiritual, enquanto vivemos na Terra não nos lembramos dos afetos que deixamos na espiritualidade, mas, em lá estando, recordamos daqueles que ficaram e é muito natural que sintamos saudades deles. Sempre que possível, e estando em condições, podemos visitá-los, seguir seus passos e mesmo ajudá-los em suas lutas e tarefas enquanto permanecem por aqui.

Dessa forma, com certeza absoluta podemos confiar que os nossos entes queridos, nossos pais, filhos, irmãos, cônjuges e amigos não morreram, apenas trocaram de endereço, apenas mudaram de residência, e, mais cedo ou mais tarde, novamente estaremos com eles. Tal assertiva, embora não afaste a saudade, nos dá mais tranquilidade e confiança nas sábias e oportunas leis de Deus que não permitem que o amor, o afeto e a afinidade entre as pessoas, com a desencarnação, possam acabar. Nada disso. Tudo prossegue, e a morte não mata ninguém, apenas promove uma breve separação.

Assim, a melhor maneira que temos para recordar os nossos amigos que moram no mundo espiritual é orar por eles, tendo a certeza de que estão vivos, que esperam por nós. Fazendo todo o bem possível em nome deles, eles recebem as nossas vibrações de carinho e ternura, e as ações benéficas que lhes endereçamos chegam aos seus corações como ramalhetes de flores que lhes encaminhamos. Ficam felizes, se alegram e se tranquilizam por nos verem firmes e confiantes na providência divina.

Não estamos impedidos de chorar por eles, mas que o façamos com resignação, dentro do contexto da saudade, mas sem revolta, inconformismo e desespero, porque isso os preocupa, uma vez que nos veem aflitos e acabam por se afligirem também.

Com o passar do tempo e a maturidade dos povos, vamos compreendendo melhor as leis divinas e entendendo que Deus nos criou para a perfeição e não para o sofrimento. O sofrimento é ainda fruto da nossa ignorância em não seguir fielmente o código divino, mas dia chegará que a humanidade, mais preparada e afeita aos ensinamentos do Cristo, logrará encontrar a paz que deseja e a felicidade que busca. Enquanto isso, continuemos trabalhando e servindo, amando e cooperando para a definitiva implantação do reino de Deus na Terra. Não será tarefa fácil, mas imprescindível e urgente.

Reencarnar e desencarnar ou nascer e morrer são apenas etapas de um grande aprendizado. Esse aprendizado nos conduzirá à conquista dos reais valores que tornam as criaturas definitivamente perfeitas. Confiemos em Jesus.


Waldenir Aparecido Cuin

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